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Por Gilvane CaldasQuando a espécie humana perde o senso de amor, compaixão e solidariedade para com o seu semelhante é o sinal de que a humanidade atingiu o seu mais alto grau de brutalidade. O sentimento brotado diante dos absurdos fatos revelados pelos jornais sobre a situação do povo indígena da Tribo Yanomami no estado de Roraima é um daquelas tragédias para nos causar revolta, indignação e vergonha diante das imagens reveladas.
Em pleno século XXI não se pode permitir que seres humanos sejam submetidos a uma condição tão desumana e degradante que faltam palavras para expressar o quão abjeta é a situação. A responsabilização dos responsáveis: Governos Federal, Estadual e o Município ao qual está sediada a reserva indígena precisam explicar ou melhor, serem responsabilizados criminalmente pela situação vexatória, chocante que eles conseguiram permitir que fosse revelada para o mundo.
A ganância dos garimpeiros e do agronegócio criminosos com a conivência e a omissão do Governo do Jair Bolsonaro, do Ministro do Meio Ambiente Ricardo Sales, que dizia que "era preciso deixar a boiada passar" e da própria FUNAI que tinha por obrigação cuidar dos povos originários não podem ficar de fora desse crime. Os responsáveis por esses órgãos que permitiram aos indígenas chegarem a situação de miserabilidade que chegaram precisam ser denunciados, julgados e condenados exemplarmente pelo crime de genocídio. A pergunta que deve-se fazer é: O que estavam fazendo a Polícia Federal, o Exército, o Ministério da Justiça, e o Ministério Público Federal que não atenderam as reivindicações dos Yanomamis? Outro aspecto preocupante é a omissão e o silêncio da imprensa diante da gravidade famélica encontrada na aldeia, isso só demonstra a conivência e a leniência com o crime e o desprezo pelos povos indígenas.
A imagens reveladas nos deixa em silêncio tamanho é a violência que aquele povo foi submetido. Não há palavras que possam justificar ou descrever o que as imagens mostram. O sentimento que deve aflorar em todos os brasileiros e brasileiras não pode ser apenas de revolta, indignação e vergonha. É necessário que se faça justiça, mas a vergonha por permitir ao longo dos tempos a naturalização da barbárie e dos crimes contra os povos originários deve perturbar nosso sono por muito tempo.
O capitalismo é uma máquina que tem como princípio ser o agente transformador de homens em seres indiferentes, incapaz de sensibilizarem com o sofrimento alheio, quando o único propósito é o de apenas buscar o lucro e a riqueza. E assim, movido pela ganância, pela violência e pelo desrespeito à vida de todas as formas, assassinam inocentes numa estrutura capaz de moer gente ainda viva, sem carnes ou músculos.
A indignação deve vir acompanhada do dever de justiça para exigir das autoridades competentes, com a máxima urgência, uma ação direta que dê o apoio necessário aos indígenas mas, ao mesmo tempo exigir que o poder judiciário responsabilize todos os culpados pela tentativa de extermínio dos Yanomamis.
Caetité-Ba.
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