terça-feira, 17 de janeiro de 2023

08 DE JANEIRO QUE NÃO ACABOU!

Por Gilvane Caldas


Esta é uma data que ficará marcada para sempre na vida de brasileiros e brasileiras que  assistiram ou presenciaram aquele momento de insanidade, como também ficará no registro na história para as futuras gerações tomarem conhecimento e não permitirem que fatos como aqueles nunca mais voltem a repetir-se na história da República Federativa do Brasil.


A invasão nas casas dos Poderes da República por indivíduos golpistas,  sem pauta de reivindicações, sem um  objetivo democrático com vistas a melhoria das condições de vida do povo brasileiro foi o mais abjeto comportamento que uma sociedade "civilizada" poderia experimentar. Aquela gente raivosa tinha como único propósito afrontar e destruir a democracia, instalando o caos e uma ditadura. Essa gente em parte manipulada, aliciada, comprada e financiada por empresários fascistas e golpistas com a participação direta da orientação e apoio das forças de segurança pública, como policiais, autoridades do governo do DF e as  Forças Armadas, especialmente o Exército Brasileiro, que permitiu que fossem montados acampamentos em seus territórios de onde se compartilhavam as ideias para os ataques terroristas ao Congresso  Nacional, Supremo Tribunal Federal e  o Palácio do Planalto.


A instabilidade na América Latina sempre foi de interesse e desejo dos Norte Americanos, eles nunca sentiram confortáveis com a paz nos  Continentes que buscam seu próprio desenvolvimento através da autonomia política,  econômica e militar. O estado profundo americano é golpista, autoritário e inconfiável.  Enquanto o presidente Americano Joe Biden, diz que é favorável e apoia a democracia no Brasil o seu organismo de espionagem CIA, organiza e apoia golpes de estado em diversas regiões do mundo. Não nos iludamos, o golpe não terminou, ele apenas deu uma pausa para que se enxugue o sangue. 


Foi assim no Iraque,  no Afeganistão,  na Líbia, na Colômbia,  na Venezuela e no Peru, isso só para lembrar os mais recentes. A armadilha feita para o novo governo brasileiro naquele dia 08, seria uma jogada de mestre caso não fosse o eleito um sujeito com a história de luta, coragem e liderança como o Lula.  A armadilha era promover o caos, a instabilidade política, e a insegurança,  com a participação dos militares de forma surdina, covarde e traiçoeira.  


Diante do caos esperado e a comoção nacional o Governo Federal atraves do Presidente da República, sentiria-se incompetente para debelar a crise, seria obrigado a invocar uma GLO Garantia da Lei e da Ordem, dando poderes aos militares, entregando o papel Constitucional que a população lhes outorgou no dia 30 de novembro nas urnas. Sendo assim, o exército tomaria o poder de forma legal,  com base na Lei, e assim, estaria consumado o golpe conforme eles haviam  planejado. 


Porém, como remédio ou veneno depende da dose para o efeito desejado, o tiro saiu pela culatra, ou seja, a dose que os golpistas aplicaram foi em excesso e produziu o efeito inverso. O Governo  Federal não chamou uma GLO como esperado pelos Militares Golpistas,  mas sim, fez uma Intervenção Federal na Segurança Pública do DF, deixando os golpistas terroristas sem ação. A ação do governo neutralizou o golpe por um tempo, mas ele ainda não foi totalmente debelado.


Apesar das inúmeras prisões de pessoas comuns, empresários financiadores,  chefes de polícia,  secretário de segurança e estimuladores do golpe, o ex presidente Bolsonaro que se escondeu na Flórida,  USA, planeja com seus apoiadores voltar ao Brasil de forma apoteótica, sendo recepcionado num aeroporto qualquer por uma grande multidão de apoiadores se apresentando como vítima de perseguição judicial, sendo comparado àqueles que foram recebidos por seus familiares e amigos quando retornaram do exílio no pós ditadura.


Bolsonaro é o golpe em caricatura, passou todo o seu governo fazendo ameaças cifradas e sendo ignorado pelas autoridades judiciais. Se as investigações forem feitas com a devida  serenidade serão encontrados os organizadores,

e os financiadores distinguindo assim, da grande massa usada como manobra que significa 80% dos que foram presos. 


É importante notar que o ato do terrorismo não se qualifica apenas pela destruição de objetos físicos ou assassinato de pessoas inocente. Ele se concretiza na sua agudeza na derrubada de governos eleitos democraticamente, porque não respeita a decisão e escolha da maioria de um povo.


A agilidade e a sabedoria do Lula somada à covardia e a falta de coragem dos militares resultou na não efetivação de tomada do Poder, que era o propósito dos golpistas. Não podemos perder de vista que a primeira etapa do golpe foi realizada com sucesso e extrema facilidade,  que foi a invasão dos palácios com a ajuda dos militares de baixa patente, cabos e soldados que escoltavam os alucinados para promoverem a baderna e a desordem. Lembram da frase  "basta um cabo e um soldado"?


Pois é, o Governo Lula tem em suas mãos uma oportunidade única para fazer o enfrentamento e colocar as Forças Armadas no seu devido lugar, no seu real tamanho.  A sociedade não pode conviver com o estigma das ameaças de generais que se intitulam um poder moderador. O ódio dos militares ao PT e ao Lula tem origem no racismo estrutural,  na liberdade para as mulheres,  no protagonismo da juventude preta e periférica, nas bandeiras de defesa das minorias. As Forças militares sempre tiveram nas suas trincheira a ideia de que as mulheres devem ser submissas,  que os jovens permaneçam sem perspectivas profissionais e de estudos encontrando apenas como alternativa de vida no serviço militar, na condição de reservista para assim ser doutrinados e servir aos interesses da burguesia e não a defesa do estado nacional.


É  importante que o governo brasileiro faça o dever de casa no momento em que tem o apoio dos poderes da República e da grande maioria da população brasileira, em virtude dos crimes praticados contra a democracia. Os militares precisam ser enquadrados dentro da Constituição. É  preciso fazer uma reforma profunda no currículo e no ensino da Academia Militar tornando-o democrático, eliminando os negacionistas da ditadura militar brasileira. Os currículos precisam atender a novas demandas da sociedade por igualdade de direitos,  de gênero, raça e classe social. O fim da militarização das polícias é uma ação que precisa ser discutida no seio da sociedade. As forças de segurança são instrumentos de defesa financiadas pelos contribuintes e portanto devem satisfação à sociedade, elas não são poderes com autonomia plena. 


O diálogo sempre deve prevalecer num momento de crise, mas será sempre necessário a aplicação da Lei para que a justiça seja feita e a democracia restabelecida. Não há possibilidade de democracia sem Justiça. Não é momento para jantares ou almoços com quem afrontou a República e comporta como se nada tivesse acontecido. Se os acordos de paz e as negociações feitas por burocratas profissionais dessem certo não teriam ocorrido duas Guerras Mundiais. Então, o que o Brasil precisa fazer é realizar o dever de casa e punir, exemplarmente, todos aqueles que cometeram crimes por ação,  omissão ou prevaricação conforme determina a Lei.

Caetité-Ba.

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