quarta-feira, 8 de março de 2023

 
AS MULHERES PODEM!!!

 Gilvane Caldas.

O dia 8 de Março pode até representar uma data comemorativa para os incautos, mas ela precisa nos fazer pensar e refletir enquanto sociedade “civilizada” sobre as condições de vida e luta diária das mulheres. 

As bandeiras feministas podem até ter um significado para uma parcela da sociedade, como forma e instrumento de luta e reafirmação dos direitos e conquistas das mulheres. As mulheres não precisam de bandeiras feministas para garantir suas conquistas e seus direitos. Bastaria que parte dos homens as vissem como companheiras, ajudadoras, meigas, fortes, capazes, decididas e amáveis ao mesmo tempo que valentes quando agredidas ou desrespeitadas nos seus direitos de mulher e cidadã. 

A mulher sempre teve o poder da decisão. É ela quem decide quando e com quem se relacionar, é ela que dá luz ao mundo, é ela quem dá sentido à vida de uma criança como uma rosa no Jardim. Ela não precisaria dar murro na mesa pra ser ouvida, chamar nossa atenção e dizer eu estou aqui. Eu existo! Não. A mulher é por essência um ser muito especial, sensível mas com uma fortaleza imensurável, capaz de destruir impérios.

Essa nova mulher que busca conquistar novos horizontes, ela exige companheiros de comportamentos e atitudes novas. Elas nunca pretenderam tomar os lugares ditos masculinos. Elas só querem respeito e igualdade de direitos. Não precisam adquirir a arrogância, a brutalidade, a grosseria ou os comportamentos reprováveis masculinos da nossa sociedade patriarcal e machista. A luta das mulheres poderá ser menos dolorida se os homens entenderem que respeito, afeto e compreensão não os faz menores, nem tão pouco menos homens, só precisam reconhecer que as atitudes às vezes (in)conscientes) produzem lágrimas e sofrimentos de quem juram amar.

Mulheres, usem do princípio ativo da sedução, da meiguice, do amor, da força interna que só a você tem e conhece para realizar seus projetos e assim construir uma sociedade menos desigual e justa. Não deixem que as desesperanças, as angústias da lida diária de um amor não correspondido, de um casamento desfeito ou da ingratidão de um filho apaguem o brilho e o sorriso do seu rosto. Vocês são as rosas que embelezam nossos Jardins, dando cores e formas tornando-os muito mais bonitos e cheios de vida. 

Caetité Ba.





domingo, 5 de março de 2023

ESCRAVIDÃO, SIM SENHOR!

Por Gilvane Caldas.



A narrativa é de trabalho análogo a escravidão! Não! Não é disso que se trata quando se refere a trabalhadores que são resgatados, libertados de fazendas. Situação análoga a escravidão é  uma nova forma do capitalismo se expressar e se defender dos crimes que praticam como se estivessemos antes da Lei Áurea, com as mesmas características dos tempos sombrios que a escravagismo era a lei.


O capitalismo só se sustenta como sistema político-econômico porque utiliza de ferramentas do sub mundo do trabalho através de artifícios que apresentam ares de legalidade como a famigerada reforma trabalhista que buscou desregulamentar as relações trabalhistas, infundindo promessas de que a vida dos trabalhadores iria melhorar e aumentaria a geração de empregos. Mas o que se observa é justamente o contrário, as empresas estão se beneficiando com a precarização e exploração dos trabalhadores.  Para os capitalistas o salário e a comida são  os únicos  instrumentos que os trabalhadores necessitam para viver com dignidade. Direito à moradia, terra e cidadania não fazem parte do conceito da burguesia para os trabalhadores. 


Como a burguesia não gosta de trabalhar, ela inventou a remuneração em forma de salário para compensar a venda da força de trabalho que os operários dispõe para esse tal "mercado" industrial. Já que o trabalho não é uma atividade prazerosa e a burguesia necessita manter seus privilégios como passear, ir às grandes festas,  comer do bom e do melhor,  ser dona dos bens de produção, da terra e do capital, ela jamais abrirá mão da exploração dos trabalhadores para se manter no topo da pirâmide social em face ao esmagamento da base.


A imprensa nacional, burguesa, tanto escrita quanto falada, especialmente a turma da Globo,  em seus telejornais não deu a ênfase necessária à situação dos trabalhadores baianos escravizados nas fazendas de vinhos no Sul do Brasil como merecia o caso. Como prática de sempre, buscam desviar a atenção  do público com outros conteúdos, que inclusive é  consequência  da concentração das terras, impedindo que o homem do campo tenha sua propriedade para produzir. O tema da Reforma Agrária e desapropriação são espinhos que não interessam ao capital e aí, tentam criminalizar os trabalhadores e suas organizações como o MST por fazer ocupações das fazendas de Eucalipto na Bahia, colocando a população contra os trabalhadores.  


O problema é que a burguesia e a mídia nacional, corporativa, não querem discutir e nem ouvir falar na necessidade da Reforma Agrária, elas não querem que os trabalhadores possuam a posse das terras para produzirem o próprio sustento no seu pedaço de chão. 


O projeto do expansão do estado brasileiro foi fundado com governos distribuindo terras de forma gratuita a fazendeiros e empresas  para promoverem o desenvolvimento agrícola e industrial do país, ali começava a burguesia escravizar os trabalhadores, os negros, as negras e os índios  tomando-lhes as terras. O ódio dos capitalistas, dos latifundiários e dos grileiros que se dizem "donos" das terras, dirigida aos trabalhadores, perpassa pela concentração das terras que permanece atual desde 1500 quando os europeus chegaram aqui.


O fato ocorrido na vinícola  não é trabalho análogo a escravidão. Isso é  uma narrativa descarada e falsa daqueles que sempre se beneficiaram da escravidão tomando vinho 🍷 nos salões nobres sob as custas da miséria,  dos maus tratos e da exploração de homens simples e indefesos que acreditaram nas promessas falsas de fazendeiros inescrupulosos e picaretas.


 O poder judiciário precisa agir com firmeza e coragem de forma exemplar para punir os responsáveis que acreditam no trabalho escravo como norma trabalhista.


 É  importante que a sociedade se mobilize e organize para pressionar o Governo e o Congresso Nacional no sentido de aprovarem leis que coloquem as terras dos fazendeiros escravocrata para Reforma Agrária. As ocupações precisam continuar acontecendo como forma de pressão social, e assim, a terra de fato cumprir seu papel expresso na constituição de 88. A narrativa vigente com objetivo de criminalizar os trabalhadores, principalmente o MST, não pode ser aceita como uma verdade,  onde a burguesia apenas pensa nos seus privilégios em detrimento a exploração dos trabalhadores.

Caetité-Ba.