terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

SANTO DE CASA, NÃO FAZ MILAGRE



Gilvane Caldas.


Esse ditado popular, muito conhecido, de vez em quando serve para ilustrar algumas situações bem pertinho de nós. Caetité sempre foi um lugar pacato, tranquilo como mais uma  cidade do interior de povo hospitaleiro principalmente acolhedor e de coração aberto sempre disposta para acolher até mesmo os forasteiros.


Na história de Caetité sempre esteve presente a narrativa de ter tido um sistema educacional que produziu diversas personalidades para política,  para a medicina, para educação e tantas outras áreas e profissões. Anísio Teixeira foi o mais nobre  e importante personagem dentre os seus filhos. Pensou um modelo de educação à frente do seu tempo, imaginou a escola pública como sendo a máquina de produzir a democracia,  pensou numa escola de tempo integral como forma de atender as necessidades da vida e da formação do indivíduo.


Esses tempos parece que ficaram para trás na terra de Anísio.   Naquele tempo, a escola pública era frequentada pelas elites locais, onde se fazia educação de qualidade para poucos, Anísio defendia que fosse para todos. O tempo passou,  Anísio foi morto, mas suas ideias continuaram e continuam vivas na mente de todos aqueles que acreditam que as transformações que tanto desejamos só acontecerão quando a escola pública for aquela que Anísio pensou na década de 30, infelizmente não parece ser o sentimento na terra natal.


Digo isso, observando o quadro caótico de ingerência que se tornou a educação no município de Caetité. O poder público municipal parece desconhecer a realidade e a importância que tem a escola na vida de uma criança, seja ela da periferia ou da Zona Rural. O calendário escolar garantido por lei exige no mínimo 200 dias letivos, no entanto,  até o presente momento as aulas nas terras de Anísio praticamente ainda não começaram. 


Como explicar para uma criança que ela ainda não pode ir à escola porque lhes falta o transporte? Para os medíocres a resposta pode ser simples. Vamos dizer que a culpa foi do pregão,  da licitação,  da burocracia, "dos ajeitos". Não temos nada a ver com isso. O sentimento é  que a terra de Anísio nunca foi administrada com tanto amadorismo como agora. E olhe que já tivemos gestores pra todo gosto. É  um primitivismo sem igual!


Nesse contexto precisamos buscar algumas respostas:

Como serão recompostos os dias de aprendizagens perdidos?

Os professores vão receber extras na recomposição? Vão trabalhar além dos 200 dias? Quem vai assumir as responsabilidades? Como ficam os planos que os professores e as escolas fizeram, principalmente as estaduais? A lista de perguntas é extensa. 


Todo gestor público tem que saber que o ano letivo é início de fevereiro. Sendo assim, o que os senhores estavam fazendo no mês de Janeiro? Dormindo!? Olha que não falamos na situação das estradas, algumas delas se o carro  for buscar o aluno pela manhã, vai chegar a escola perto do meio dia. É  buraco e  recuperação mal feita por todo canto. É  coisa viu! É  o caos!


A terra de Anísio não se orgulha mais em dizer terra da educação. Esse título foi perdido ao longo do tempo como consequência de atitudes de gestores públicos medíocres que não compreenderam a necessidade e a importância que tem a educação na vida de uma pessoa. Aqui estamos falando de gente, gente que talvez tem a porta da escola como a única via de acesso para melhorar as condições de  vida. 

Caetité-Ba. .