Por Gilvane Caldas
Sofrer com a prática do racismo e da misoginia nunca foi novidade na vida de quem sempre carregou a marca da exclusão e da indiferença nas sociedades burguesas e elitistas. A prática criminosa teve sua impulsão e estímulo em tempos recentes através do governo misógino e violento do inominável. Era preciso um cão ladrar, para que a horda entrasse em ação.
O preconceito é um sentimento que brota no interior daqueles que têm como cultura a ignorância e o desconhecimento das diferenças entre os povos. A expressão do racismo nunca foi tão evidente como agora. Isso não significa que antes a prática maléfica era inexistente, pelo contrário, ela era aceita como coisas engraçadas, piadas, apelidos jocosos, dirigidos a vítima como algo natural.
O diferencial de agora é que em tempos anteriores o racista tinha vergonha de se assumir racista, até porque, as vítimas de sempre, os negros, os favelados, as mulheres brancas e pobres não dividiam os mesmo espaços com os inquilinos da Casa Grande. Eram pessoas subjugadas ao segundo plano. Com a expansão das políticas públicas de inclusão social os excluídos de sempre passaram a ter vez e voz. Isso incomodou extremamente os racistas.
Essa é a prática da extrema-direita que odeia cultura, educação e se alimenta do ódio. Um sujeito racista incomoda com a presença do diferente ao seu lado na poltrona de um avião, no palco de um teatro, na universidade ou numa visita a um museu importante. O racismo e o preconceito reverberam quando a vítima, de sempre, disputa o espaço de igual pra igual com o Ser que se acha superior.
Para essa gente há sempre a necessidade da opressão para sua sobrevivência. É através da exploração do outro que esses indivíduos projetam seus sucessos. Eles não se conformam em compartilhar sucesso e empoderamento com quem eles sempre trataram como inferiores.
Caetité é uma cidade conservadora, disso ninguém tem dúvida. O péssimo tratamento que alguns comerciantes da cidade oferecem a alguns “clientes” é algo desprezível numa sociedade civilizada. A ação desse comerciante é amparada nos olhares de tantos outros iguais a ele na cidade. Uma parte do comércio atende o cliente de acordo com as suas vestes e características. É o racismo silencioso tão cruel quanto aquele expresso nas redes sociais, balizado por um sentimento de arrogância e ignorância que não desperta culpa e nem vergonha, pelo contrário, a sensação é de orgulho da parte de quem pratica.
O enfrentamento a esse tipo de prática precisa ser firme por parte de todos os cidadãos, como ação civilizatória, num processo de consciência cidadã e ao mesmo tempo criminal. É importante a presença firme do Ministério Público neste caso. O crime praticado foi uma ofensa a toda sociedade, ele tinha endereço e precisa ser cortado na raiz, antes que o mal seja a moda no submundo de empresas que cultivam esse pensamentos.
Caetité-Ba.