domingo, 30 de novembro de 2025

O FUTEBOL E A POLÍTICA

    Fonte: imagem jornalggn.com.br

Por Gilvane Caldas 

A  final de um campeonato de futebol revela um paradoxo desconfortável diante da enorme capacidade de mobilização emocional pelo esporte e, ao mesmo tempo, uma apatia quase silenciosa diante das mazelas políticas que corroem o país. É curioso e preocupante observar como parte da população encontra forças para chorar, gritar, lotar estádios, ruas e redes sociais por causa de um jogo, e  demonstra apatia,  indiferença para enfrentar escândalos que afetam diretamente a qualidade de vida desse próprio povo.

Essa paixão concentrada no futebol não é o problema em si; o esporte é parte da identidade cultural brasileira, algo que une e emociona. O problema surge quando essa energia se torna seletiva, na indignação condicionada a um placar, mas não por uma votação ou postura que envergonha e macula a instituição Congresso Nacional.  A frustração explode com um pênalti perdido, mas não com bilhões desviados em acordos espúrios feitos nos porões e salões nobres dos centros financeiros do país. 

A política nacional muitas vezes parece distante, complexa e isso contribui para o desengajamento. Porém, essa distância é ilusória: decisões tomadas em Brasília influenciam a educação do filho, o preço do alimento, a existência de saneamento básico, a presença de hospitais equipados e a segurança nas ruas. Ainda assim, para muitos, esses gargalos são apenas ruídos de fundo normalizados, tratados com indiferença.

Parte dessa apatia nasce da descrença geral nas instituições; outra parte vem de um cansaço legítimo. Mas há também uma dimensão cultural: o brasileiro aprendeu a venerar futebol e odiar a política. É como se houvesse indulgência para o que realmente importa e intensidade para o que, embora apaixonante, não muda nada no cotidiano do país.

Enquanto a mobilização permanecer limitada ao campo esportivo, a política continuará sendo território fértil para canalhas e falcatruas de gente inescrupulosa. A energia que o brasileiro demonstra nos estádios tem potencial para transformar o país, se for levada para as urnas, para o debate público, para a cobrança diária dos representantes.

O desafio é deslocar parte dessa energia para onde ela realmente faz diferença: para a defesa da ética, da transparência e do interesse coletivo. Porque, no final, nenhum título de futebol compensa a perda de direitos, de recursos e de dignidade que a má política impõe a todos nós trabalhadores.

Caetité-Ba

sábado, 22 de novembro de 2025

A JUSTÇA TARDA, MAS NÃO FALHA!


Por Gilvane Caldas

O Brasil vive um cenário de intensas repercussões políticas e econômicas, marcado pela operação da Polícia Federal (PF) que resultou na prisão do dono e sócios do Banco Master, em uma ação focada no combate a fraudes financeiras. Esta operação evidenciou a importância do trabalho investigativo das autoridades para salvaguardar o sistema financeiro e proteger o país de práticas ilícitas que comprometem a economia do Estado Brasileiro, assim como foi a operação carbono oculto que desvendou relações promíscuas no coração financeira da Faria Lima e o crime organizado em São Paulo. 

Quase que simultaneamente, a decretação da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, também ocorrida nesse 22/11, acusado de liderar uma tentativa de golpe de estado, ainda quando era Presidente da República, após ser derrotado nas eleições de 2023. A decisão de hoje reflete um momento em que a sociedade clama por responsabilidade e justiça em relação a líderes políticos.

No entanto, em meio a esse contexto de investigações e questionamentos, surge a proposta do deputado Derrite, do Partido Republicano de São Paulo, que busca enfraquecer a Polícia Federal, desmantelando a medida provisórias construída pelo governo Lula, construindo um texto que enfraquece a ação da PF para investigar crimes de organizações criminosas e chefes poderosos. Essa proposta gera, agora no Senado e se caso aparvada, poderá comprometer a eficácia da PF em combater não apenas a fraudes financeiras, mas também outros crimes e delitos que ameaçam a segurança e a integridade do país.

A relação entre esses eventos é complexa. Enquanto a operação da PF simboliza um esforço para restaurar a confiança pública nas instituições, as tentativas de desmantelar sua estrutura e reduzir seu financiamento sugerem uma tentativa de retrocesso nos avanços conquistados até aqui. O fortalecimento e autonomia da Polícia Federal são cruciais para garantir que investigações sejam conduzidas de maneira imparcial e eficaz, independentemente de quem esteja no poder.

Esses episódios nos lembram da importância de um sistema de controles robusto e da necessidade de proteger as instituições que atuam em defesa da justiça e da integridade no Brasil. O momento exige reflexão e diálogo, para que se possa buscar soluções que promovam a transparência, a ética e a responsabilidade, tanto na esfera financeira quanto na política. O futuro do Brasil depende da capacidade de conciliar interesses diversos em prol do bem comum e da manutenção de um Estado autônomo, forte e que garanta uma justiça firme e independente.

Caetité-Ba.

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Irrigação do Vale do Iuiu: Do sonho à realidade.

    Fonte: www.youtube.com

Por Gilvane Caldas.

Há décadas, o povo do Vale do Iuiu, no sudoeste da Bahia, alimenta um sonho: transformar a força das águas em desenvolvimento sustentável. O Projeto de Irrigação do Vale do Iuiú suscita uma esperança para mudar a realidade de milhares de famílias que vivem em uma região de forte vocação agrícola, mas marcada pela irregularidade das chuvas e pelas dificuldades do semiárido.

Idealizado ainda nas décadas passadas, o projeto sempre foi visto como uma obra estratégica para garantir segurança hídrica, geração de emprego e renda, e para impulsionar a produção de alimentos em larga escala. Suas terras férteis e a proximidade com importantes bacias hidrográficas, como a do rio São Francisco, fazem do local um ponto estratégico para o desenvolvimento regional.

Agora, sob o *Governo do Presidente Lula e do Governador Jerônimo Rodrigues* , o sonho volta a ganhar força. Com uma gestão voltada para o fortalecimento da agricultura familiar, o combate à desigualdade e o desenvolvimento sustentável do Nordeste, o projeto volta à pauta com chances reais de sair do papel.

A expectativa é que o Projeto de Irrigação do Vale do Iuiu se torne um marco na história da Bahia, promovendo não apenas o crescimento econômico, mas também a *fixação das famílias no campo* , o estímulo à agroindústria e o uso racional dos recursos hídricos. Trata-se de um investimento que vai muito além da infraestrutura: é uma aposta na dignidade e no futuro do povo do sertão.

O que antes era um desejo do passado pode, enfim, se transformar em realidade no presente, simbolizando a retomada de políticas públicas que olham com atenção e respeito para o interior da Bahia,  atendendo não só a agricultura empresarial,  mas também ao agricultor familiar.

Gilvane Caldas - Caetité-Ba.