segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

O CÓDIGO DO SILÊNCIO

Por Gilvane Caldas.


Desde que o homem existe ele se organiza em sociedade para viver e desenvolver suas atividades em torno de objetivos comuns, sejam eles no campo ou na cidade como forma de se defender e buscar seus direitos.  No lazer também é  assim, as pessoas se divertem de acordo as afinidades que possuem e no mundo do futebol essa característica talvez seja a mais visível e acentuada.


O mundo futebolístico é cercado de muitos mistérios que para alguns é difícil entender como ter tanto dinheiro envolvido nas transações de jogadores, enquanto para outras áreas essenciais da vida humana faltam recursos.  O objeto aqui são meninos pobres das periferias, das baixadas, dos campos de terra e das várzeas  que se revelaram para o mundo e se transformaram em objetos de desejo ou produto de alto valor no mercado do futebol.


Mas aqui não pretendo discorrer sobre negócios do futebol. Aqui o negócio é  mais grave! Trata-se do   assustador "pacto" de silêncio dos jogadores brasileiros, principalmente, aqueles do alto escalão, da elite do futebol nacional e internacional  a respeito dos episódios envolvendo  os casos de estupros e assédio sexual por parte de alguns jogadores famosos. 


O caso do jogador Robinho ex-seleção brasileira,  condenado com nove anos de prisão na Itália, por estupro de vulnerável, ficar "escondido" aqui no Brasil,  é algo que precisa nos incomodar, pois não há na legislação brasileira a possibilidade do brasileiro ser extraditado para cumprir a pena em outro país.  Enquanto isso, o atleta é visto nas praias da Baixada Santista jogando futevôlei com seus parças famosos como se nada tivesse acontecido. 


Com acusação semelhante, porém, com um resultado diferente, o ex-atleta da seleção brasileira, Daniel Alves, está sendo acusado de cometer o mesmo crime que Robinho, no entanto, com um resultado diferente. Daniel está preso na Espanha aguardando o desenrolar das investigações, que ao que tudo indica, será condenado pelas provas até então encontradas.


O problema dos jogadores pobres que ficam ricos é que na maioria das vezes apesar de viverem em ambientes "chics", de muita badalação, cercados de "gentes importantes", de muita farra, mulheres, mas sem carregar princípios básicos que fazem do indivíduo o homem completo, com valores morais que compõem o caráter de um sujeito íntegro numa sociedade civilizada. 


O futebol no Brasil tem uma importância muito grande na vida das pessoas. Sendo assim, um jogador de futebol precisaria ter uma postura diferente no que se refere aos valores da família e da vida, porque ele influencia por gerações o comportamento de crianças e adolescentes. A ausência da escola e o afastamento da família muito cedo,  podem não permitir que eles tenham a capacidade para contribuir com valores como a solidariedade de princípios legais.


O silêncio dos  atletas e da imprensa esportiva, nesses  dois casos,  principalmente, por serem recentes, deve nos deixa bastante preocupados, pois, parece ser um sinal de que  essa anomalia é vista como algo natural no mundo do futebol, uma vez que a não condenação em público dos atos praticados pelos dois atletas, nos traz a sensação de que a vítima tem pouca importância nessas circunstâncias. Talvez o dinheiro fácil tenha produzido nos meninos pobres,  mas enriquecidos, a sensação do direito de abusar dos seus próprios limites, contando com a impunidade e o próprio dinheiro. Essa cultura não pode prevalecer!


Condenar os crimes neste momento  vai servir não apenas para dizer que são contra, mas para orientar novas gerações de que o respeito às  mulheres precisa ser dado em todo e qualquer lugar. A violência por mais banal que seja é uma violência e precisa ser enfrentada. Não podemos falar em democracia sem que se exerça o direito de se fazer justiça.  


Calar diante de fatos com tamanha gravidade não nos coloca em pé de igualdade numa sociedade civilizada, mas sim, diante da barbárie. É  importante que as pessoas que exercem algum tipo de liderança ou influência se manifestem de forma coerente em todos os aspectos da vida, seja na política, na cultura e na sociedade em geral. Combater todo e qualquer tipo de violência,  seja ela qual for, é obrigação do cidadão. Não se pode aceitar como natural a expressão do racismo,  do preconceito, do machismo,  da homofobia, do ódio às mulheres, aos negros, aos índios e as minorias de forma geral. 


Se o silêncio ou a conivência prevalece diante de fatos dessa natureza é o sinal de que estamos doentes e que a sociedade precisa urgente passar por um choque de transformação moral para recuperar valores que,  ou não foram adquiridos ou foram perdidos ao longo do tempo.

Caetité-Ba.


sábado, 21 de janeiro de 2023

VERGONHA E CRIME!

.

                                               Por Gilvane Caldas 

Quando  a espécie humana  perde o senso de amor, compaixão e solidariedade para  com o seu semelhante é o sinal  de que a humanidade atingiu o seu mais alto grau de brutalidade. O sentimento brotado diante dos absurdos fatos revelados pelos jornais sobre a situação do povo  indígena da Tribo Yanomami no estado de Roraima é  um daquelas tragédias para nos causar revolta, indignação e vergonha diante das imagens reveladas.


Em pleno século XXI não se pode permitir que seres humanos  sejam submetidos a uma condição tão desumana e degradante que faltam palavras para expressar o quão  abjeta é a situação. A responsabilização dos responsáveis: Governos Federal,  Estadual e o Município ao qual está sediada a reserva indígena precisam explicar ou melhor, serem responsabilizados criminalmente pela situação vexatória,  chocante que eles conseguiram permitir que fosse revelada para o mundo. 


A ganância dos garimpeiros e do agronegócio criminosos com a conivência e a omissão do Governo do Jair Bolsonaro,  do Ministro do Meio Ambiente Ricardo Sales, que dizia que "era preciso deixar a boiada passar" e da própria FUNAI que tinha por obrigação cuidar dos povos originários não podem ficar de fora desse crime. Os responsáveis por esses órgãos que permitiram aos indígenas chegarem a situação de miserabilidade que chegaram precisam ser denunciados, julgados e condenados exemplarmente pelo crime de genocídio. A pergunta que deve-se fazer é: O que estavam fazendo a Polícia Federal, o Exército, o Ministério da Justiça, e o Ministério Público Federal que não atenderam as reivindicações dos Yanomamis? Outro aspecto preocupante é a omissão e o silêncio da imprensa diante da gravidade famélica encontrada na aldeia, isso só demonstra a conivência e a leniência com o crime e o desprezo pelos povos indígenas.


A imagens reveladas nos deixa em silêncio tamanho é a violência que aquele povo foi submetido. Não há palavras que possam justificar ou descrever o que as imagens mostram.  O sentimento que deve  aflorar em todos os brasileiros e brasileiras não pode ser apenas de revolta, indignação e vergonha.  É necessário que se faça justiça, mas a vergonha por permitir ao longo dos tempos a naturalização da barbárie e dos crimes contra os povos originários deve perturbar nosso sono por muito tempo.


O capitalismo é uma máquina que tem como princípio ser o agente transformador de homens em  seres indiferentes, incapaz de sensibilizarem com o sofrimento alheio, quando o único propósito  é o de apenas buscar o lucro  e a riqueza.  E assim, movido pela ganância, pela violência e pelo desrespeito à vida de todas as formas, assassinam inocentes numa estrutura capaz de moer gente ainda viva, sem carnes ou músculos.


A indignação deve vir acompanhada do dever de justiça para exigir das autoridades competentes, com a máxima urgência, uma ação direta que dê o apoio  necessário aos indígenas mas,  ao mesmo tempo exigir que o poder judiciário responsabilize todos os culpados pela tentativa de extermínio dos Yanomamis.

Caetité-Ba.






terça-feira, 17 de janeiro de 2023

08 DE JANEIRO QUE NÃO ACABOU!

Por Gilvane Caldas


Esta é uma data que ficará marcada para sempre na vida de brasileiros e brasileiras que  assistiram ou presenciaram aquele momento de insanidade, como também ficará no registro na história para as futuras gerações tomarem conhecimento e não permitirem que fatos como aqueles nunca mais voltem a repetir-se na história da República Federativa do Brasil.


A invasão nas casas dos Poderes da República por indivíduos golpistas,  sem pauta de reivindicações, sem um  objetivo democrático com vistas a melhoria das condições de vida do povo brasileiro foi o mais abjeto comportamento que uma sociedade "civilizada" poderia experimentar. Aquela gente raivosa tinha como único propósito afrontar e destruir a democracia, instalando o caos e uma ditadura. Essa gente em parte manipulada, aliciada, comprada e financiada por empresários fascistas e golpistas com a participação direta da orientação e apoio das forças de segurança pública, como policiais, autoridades do governo do DF e as  Forças Armadas, especialmente o Exército Brasileiro, que permitiu que fossem montados acampamentos em seus territórios de onde se compartilhavam as ideias para os ataques terroristas ao Congresso  Nacional, Supremo Tribunal Federal e  o Palácio do Planalto.


A instabilidade na América Latina sempre foi de interesse e desejo dos Norte Americanos, eles nunca sentiram confortáveis com a paz nos  Continentes que buscam seu próprio desenvolvimento através da autonomia política,  econômica e militar. O estado profundo americano é golpista, autoritário e inconfiável.  Enquanto o presidente Americano Joe Biden, diz que é favorável e apoia a democracia no Brasil o seu organismo de espionagem CIA, organiza e apoia golpes de estado em diversas regiões do mundo. Não nos iludamos, o golpe não terminou, ele apenas deu uma pausa para que se enxugue o sangue. 


Foi assim no Iraque,  no Afeganistão,  na Líbia, na Colômbia,  na Venezuela e no Peru, isso só para lembrar os mais recentes. A armadilha feita para o novo governo brasileiro naquele dia 08, seria uma jogada de mestre caso não fosse o eleito um sujeito com a história de luta, coragem e liderança como o Lula.  A armadilha era promover o caos, a instabilidade política, e a insegurança,  com a participação dos militares de forma surdina, covarde e traiçoeira.  


Diante do caos esperado e a comoção nacional o Governo Federal atraves do Presidente da República, sentiria-se incompetente para debelar a crise, seria obrigado a invocar uma GLO Garantia da Lei e da Ordem, dando poderes aos militares, entregando o papel Constitucional que a população lhes outorgou no dia 30 de novembro nas urnas. Sendo assim, o exército tomaria o poder de forma legal,  com base na Lei, e assim, estaria consumado o golpe conforme eles haviam  planejado. 


Porém, como remédio ou veneno depende da dose para o efeito desejado, o tiro saiu pela culatra, ou seja, a dose que os golpistas aplicaram foi em excesso e produziu o efeito inverso. O Governo  Federal não chamou uma GLO como esperado pelos Militares Golpistas,  mas sim, fez uma Intervenção Federal na Segurança Pública do DF, deixando os golpistas terroristas sem ação. A ação do governo neutralizou o golpe por um tempo, mas ele ainda não foi totalmente debelado.


Apesar das inúmeras prisões de pessoas comuns, empresários financiadores,  chefes de polícia,  secretário de segurança e estimuladores do golpe, o ex presidente Bolsonaro que se escondeu na Flórida,  USA, planeja com seus apoiadores voltar ao Brasil de forma apoteótica, sendo recepcionado num aeroporto qualquer por uma grande multidão de apoiadores se apresentando como vítima de perseguição judicial, sendo comparado àqueles que foram recebidos por seus familiares e amigos quando retornaram do exílio no pós ditadura.


Bolsonaro é o golpe em caricatura, passou todo o seu governo fazendo ameaças cifradas e sendo ignorado pelas autoridades judiciais. Se as investigações forem feitas com a devida  serenidade serão encontrados os organizadores,

e os financiadores distinguindo assim, da grande massa usada como manobra que significa 80% dos que foram presos. 


É importante notar que o ato do terrorismo não se qualifica apenas pela destruição de objetos físicos ou assassinato de pessoas inocente. Ele se concretiza na sua agudeza na derrubada de governos eleitos democraticamente, porque não respeita a decisão e escolha da maioria de um povo.


A agilidade e a sabedoria do Lula somada à covardia e a falta de coragem dos militares resultou na não efetivação de tomada do Poder, que era o propósito dos golpistas. Não podemos perder de vista que a primeira etapa do golpe foi realizada com sucesso e extrema facilidade,  que foi a invasão dos palácios com a ajuda dos militares de baixa patente, cabos e soldados que escoltavam os alucinados para promoverem a baderna e a desordem. Lembram da frase  "basta um cabo e um soldado"?


Pois é, o Governo Lula tem em suas mãos uma oportunidade única para fazer o enfrentamento e colocar as Forças Armadas no seu devido lugar, no seu real tamanho.  A sociedade não pode conviver com o estigma das ameaças de generais que se intitulam um poder moderador. O ódio dos militares ao PT e ao Lula tem origem no racismo estrutural,  na liberdade para as mulheres,  no protagonismo da juventude preta e periférica, nas bandeiras de defesa das minorias. As Forças militares sempre tiveram nas suas trincheira a ideia de que as mulheres devem ser submissas,  que os jovens permaneçam sem perspectivas profissionais e de estudos encontrando apenas como alternativa de vida no serviço militar, na condição de reservista para assim ser doutrinados e servir aos interesses da burguesia e não a defesa do estado nacional.


É  importante que o governo brasileiro faça o dever de casa no momento em que tem o apoio dos poderes da República e da grande maioria da população brasileira, em virtude dos crimes praticados contra a democracia. Os militares precisam ser enquadrados dentro da Constituição. É  preciso fazer uma reforma profunda no currículo e no ensino da Academia Militar tornando-o democrático, eliminando os negacionistas da ditadura militar brasileira. Os currículos precisam atender a novas demandas da sociedade por igualdade de direitos,  de gênero, raça e classe social. O fim da militarização das polícias é uma ação que precisa ser discutida no seio da sociedade. As forças de segurança são instrumentos de defesa financiadas pelos contribuintes e portanto devem satisfação à sociedade, elas não são poderes com autonomia plena. 


O diálogo sempre deve prevalecer num momento de crise, mas será sempre necessário a aplicação da Lei para que a justiça seja feita e a democracia restabelecida. Não há possibilidade de democracia sem Justiça. Não é momento para jantares ou almoços com quem afrontou a República e comporta como se nada tivesse acontecido. Se os acordos de paz e as negociações feitas por burocratas profissionais dessem certo não teriam ocorrido duas Guerras Mundiais. Então, o que o Brasil precisa fazer é realizar o dever de casa e punir, exemplarmente, todos aqueles que cometeram crimes por ação,  omissão ou prevaricação conforme determina a Lei.

Caetité-Ba.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

UM PAÍS SEM AUTORIDADE

Por Gilvane Caldas.


Há um ditado popular e muito conhecido que diz: "em casa que falta pão, todo mundo briga e ninguém tem razão. 

Passadas as eleições, um grupo de manifestantes autoritários,  fascistas e golpistas resolveram se juntar nos portões dos Quartéis do Exército para contestar a democracia.


A Lei diz que é proibido fazer manifestação em áreas ou zonas militarizadas, consideradas de Segurança Nacional. No entanto,  o que se tem visto é justamente a baderna,  a desordem, o desrespeito à Constituição e a afronta da ordem democrática de forma vil, com a conivência das autoridades que prevaricam diante da garantia da lei e da ordem.


O Presidente da República, Jair Bolsonaro, e seus "comandados" se assim podemos dizer", precisam ser responsabilizados criminalmente por incitação,  apoio e leniência  a atos violentos que não podem ser considerados democráticos.  As policiais  têm a tradição de serem extremamente violentas, agressivas e letais com os trabalhadores,  professores, estudantes e organizações sociais que lutam por direitos dentro da Constituição. Agora, assistem tudo passivamente.


A pergunta que se deve fazer às autoridades é: Que tipo de tratamento será dado aos trabalhadores quando estes fizerem manifestações de fato democráticas? Por quais motivos os policiais e as autoridades estão sendo coniventes com os crimes dessa gente? É permitida a reivindicação de idéias criminosas e fora da lei mesmo que sejam pacíficas, o que não é o caso? Então, nós podemos sair às ruas exigindo a morte de judeus,  negros,  mulheres,  gays, pobres, ditaduras, fim da liberdade desde que seja de modo pacífico? É isso? 


Onde estão aquelas pessoas que se dizem autoridades e que representam o povo? Parece que vivemos numa república de bananas de homens fracos que têm apenas aparência de autoridade, que no fundo, são pessoas frustradas, incompetentes que flertam com o autoritarismo  de um tempo de crimes que não foi passado a limpo como determina a Lei. Os crimes praticados por essas pessoas que se dizem democráticas precisam ser apurados na forma da Lei com punição exemplar para que não se repita e sirva de exemplo para as futuras gerações. 

Caetité-Ba.

 

LULA E ALKIMIM

            Por Gilvane Caldas 15/04/22.

 Num ano  eleitoral é  comum os cidadãos,  os políticos de carreira  e os analistas começarem a balbuciar as especulações, as tratativas que rolam nos bastidores do meio político. Partindo do título do texto, observado do ponto de vista das origens e das ideias de cada um desses dois cidadãos, seria inimaginável pensar numa composição de chapa para disputar um pleito eleitoral qualquer, ainda mais para a Presidência da República.


O incômodo dessa composição não  está nas diferenças que os dois políticos carregam em suas histórias de vida, descritas aqui de forma superficial. Um vindo do Nordeste, filho de pais retirante, chegou à Presidência da República, já o outro, do interior Paulista, de família com melhores condições de vida e uma história de menos dificuldades, chegou ao governo Paulista. A tão “controversa aliança”, combatida em parte no próprio Partido dos Trabalhadores, acontece porque Alckmin é um liberal conservador,  próximo do capital financeiro que apoiou o golpe da ex-presidente Dilma, quando ainda era do PSDB e exercia o mandato de governador do Estado de São Paulo. Essa é uma parte da história que não poderá ser apagada. 


Aquele momento passado nos trouxe para o abismo do presente. A conjuntura mudou e exige de todos os progressistas uma postura extremamente racional e lógica, no campo das alianças eleitorais, por mais que isso pareça ser contraditório. Aliar ao inimigo para vencer outro inimigo.  Há um provérbio popular que diz: “Se você  não pode com o inimigo, una-se a ele”. Esse argumento não reflete a realidade, pois os nossos inimigos são  outros, eles representam uma ameaça ao sistema democrático, as liberdades coletivas e individuais. 


A crítica simplista da  purificação da política sobre os atores envolvidos não condiz com a realidade, pois estamos presos e  imersos na  ignorância e no negacionismo de quem nunca negou seus valores,  mas que levou milhões de brasileiros a acreditarem numa farsa construída por diversos atores. O quadro político,  social e econômico do país exige do campo progressista algo além da crítica pela crítica. Aqui não se trata de tornar-se pelego ou endireitar-se, é uma postura de unificação do país, uma busca da verdadeira democracia participativa ameaçada como nunca.


É verdadeira a premissa de que o campo popular, na atual conjuntura, parece não precisar tanto da centro-direita ou direita para vencer as eleições. O problema não parece ser esse de vencer as eleições. O problema é como unificar o país no pós eleição dividido pelo ódio, pela mentira  e pela violência além de encontrar um estado de terra arrasada, deixado por Bolsonaro. Isso exigirá de toda  sociedade e de seus representantes um esforço de consciência nacional para compreender a necessidade da unidade com figuras de lados que nunca foram convergentes mas que se respeitaram com civilidade no campo democrático.


A pauta das eleições de outubro próximo passa por unificação de parte do povo brasileiro que teve sua alma envenenada por fake news, mentiras, desrespeito a civilização e o culto à ignorância no mais amplo significado do verbete. É importante que o campo popular perceba que a unidade para vencer o fascismo instalado no Brasil não pode ser uma tarefa de alguns, é responsabilidade de todos que acreditam na democracia. A crítica é importante para poder reafirmar nossas origens e determinar a direção que desejamos percorrer, mas ela não pode ser uma ferramenta que impeça nossa caminhada. 


A formação de uma coalisão ou mesmo aproximação programática com aqueles que sempre foram nossos adversários no campo das ideias, não significa que mudamos nosso jeito de caminhar ou a direção da caminhada. Pelo contrário, a nossa luta fortalece dentro do campo de adversários que outrora nos faziam duros ataques e vice-versa, porém, dentro do jogo democrático. Agora, o jogo está sendo jogado fora das quatro linhas da constituição, o flerte é com o fascismo, o que exige responsabilidade e união dos democratas  e de quem tem compromisso com o povo brasileiro. 


Talvez seja o momento para aprendermos na prática a parábola do “porco espinho” para enfrentar o frio rigoroso no momento de dormir, neste caso a barbárie. Mesmo que os espinhos possam nos ferir no encontro,  o instinto pela sobrevivência é  mais forte. A chapa Lula/Alckmin é um pouco dessa estória.


A aliança Alkmin-Lula prestes a oficializar-se não está centrada apenas numa composição eleitoral, que se funde apenas no dia da eleição. É preciso garantir a tão cantada governabilidade no presidencialismo de coalizão. A política é  uma atividade de risco e as alianças são feitas com aqueles que pensam diferente de nós. É  um somatório de diferenças, o que não significa que deixamos nossos princípios, nossas bandeiras históricas em defesa dos direitos da classe trabalhadora.


Salvar o país do fascismo e dos fascista não será uma tarefa fácil, nem tão pouco uma tarefa feita através do proselitismo político,  puritano de uma “esquerda” que atua apenas ideologicamente sem uma prática que promova o desenvolvimento da consciência política do cidadão. Não se pode esquecer que o golpe na sua gestação teve aplausos na tribuna do Congresso Nacional por parlamentares que se intitulam de "esquerda". Em determinados momentos fizeram coro com a direita vislumbrados com o apoio e a visibilidade midiática para atacar o governo Dilma, só depois de certo tempo perceberam do equívoco  que estavam cometendo, mas aí já era tarde o golpe já estava quase consumado.


Sem mais delongas, como um simples descrevinhador dessas rasas ideias, não há aqui nenhuma pretensão de achar que o caminho é certo ou que essas especulações políticas  prevaleçam para as eleições de 2022. Em tempos sombrios precisamos conversar com muita gente,  iniciando pela nossa “casa” alertando para a necessidade de uma composição ampla que garanta a participação do povo nas decisões e uma inserção do Brasil nas grandes decisões políticas no mundo sem que a nossa crítica deixe de ser feita.

                     Caetité Bahia.


OS TRABALHADORES E A POLÍTICA


Por Gilvane Caldas 15/04/22.


A Classe trabalhadora é a maior organização social constituída na base de qualquer sociedade. O posicionamento político que ela toma deve refletir os interesses da categoria, pois é  ela a produtora de toda a riqueza e bem estar social.

No entanto, como essa classe na sua grande maioria não é politizada, não é possível fazer uma correlação de forças entre as necessidades dos trabalhadores e de seus familiares com o programa de governo e seus representantes escolhidos nas eleições.


A interferência da narrativa burguesa através dos meios de comunicação e a pouca formação intelectual de parte do povo, em virtude da baixa qualidade da educação, quando oferecida para essa categoria, os transforma num alvo fácil para a manipulação ideológica em períodos eleitorais.


Em determinadas situações, como na hora do voto, é possível perceber essa característica em  parte do eleitorado de não compreender a funcionalidade dos partidos políticos, dos programas de governos, das propostas e características de cada candidato(a), do real compromisso que cada um(a) apresenta para solução dos problemas. Essa falta de compreensão produz um cidadão insatisfeito  com a gestão pública e descrente da importância do seu engajamento e participação nas decisões  ou escolhas políticas. O afastamento político do trabalhador das instâncias partidárias e das organizações sindicais é  consequência da ausência do trabalho de formação na base. A tarefa para o  desenvolvimento da consciência política do trabalhador não é  algo que se dá de uma hora para outra, leva um certo tempo. É  preciso criar escolas que atendam os interesses da categoria de trabalhadores, que busque a formação técnica sem deixar de lado a completa formação humanista, filosófica, cidadã e política.


O trabalho de base não  precisa necessariamente ser entre quatro paredes de uma escola tradicional, pode ser sob uma árvore, na sala da associação comunitária, no salão de uma igreja, no refeitório da fábrica, na fila do banco ou mesmo na mesa de um bar. Essa formação se dá através do diálogo da exposição de motivos e razões pelas quais a classe trabalhadora produz a riqueza mas não usufrui dela. 


A escolha da classe política para a representação dos interesses trabalhistas, no Estado, como mediador dos conflitos entre a burguesia e o proletariado perpassa pela formação de base feita pelos partidos políticos de esquerda, pelos sindicatos e organizações progressistas que representam os anseios dos trabalhadores. É  a partir dessa formação e das  escolhas feitas que se define de que lado o Estado  se posiciona, se social e justo ou burguês capitalista explorador.


A prova dessa falsa representatividade tanto do executivo quanto no legislativo é  o governo Bolsonaro que elegeu-se mentindo, dizendo para o povo que faria um governo justo, transparente e extremamente técnico para resolver parte dos problemas da população. Muita gente "inocente" acreditou nisso. O mesmo ocorreu no Parlamento, a maioria dos deputados eleitos demonstraram não ter nenhuma afinidade com as causas do povo. Simplesmente passaram a representar os interesses das corporações que de fato são seus patrocinadores. O eleitor nesse caso foi usado como ferramenta de afirmação da falsa representatividade dos trabalhadores.


Caetité-Ba.


COMPLEXO: "O NOVO SEMPRE VEM"

 Por Gilvane Caldas .

No interior da Bahia, precisamente na cidade de Caetité, terra onde nasceu um dos maiores Educadores do mundo: Anísio Teixeira, instalou-se uma polêmica, tipo aquela que leva do nada para lugar nenhum, ou seja, nada muda, tudo estaciona no porto do saudosismo que muitas vezes impede as transformações necessárias que um povo precisa. Isso é geralmente atrelado à postura de indivíduos  não progressistas que sempre  reagem ao sentir seu  comodismo ameaçado. 


Essa pode ser a postura daqueles que sempre se esconderam atrás  de uma bandeira, apenas por status, e não pela luta ou pela transformação da sociedade, carecendo do compromisso para assumir  de fato a causa da igualdade de acesso e permanência dos educandos  numa escola pública de qualidade como defendia e acreditava Anísio Teixeira.

 

Levantar uma bandeira de oposição oportunista, como arautos da preservação da memória nessas circunstâncias não parece ser razoável,  pois não  se nota nesses porta-vozes, um exemplo que lembre a obra de Anísio. Cultuar a memória por si só, não  expressa nem de longe o que os defensores da teoria e prática Anisiana estão defendendo, uma escola pública e de qualidade para todos.


O Complexo Educacional previsto para ser instalado em Caetité é  justamente o que pensava Anísio Teixeira, uma escola que possa oferecer conforto,  conhecimento e autonomia aos nossos estudantes. 


Promover a transformação de um determinado ambiente, não significa sua extinção ou apagamento da sua memória,  pelo contrário, pode ser uma ressignificação dessa mesma história que alguns pensam em conservar intacta, história essa que no passado foi importante para o desenvolvimento da região, mas que  hoje, a realidade nos impõe a criação de um novo homem e de uma nova mulher, ou seja,  a camisa não nos serve mais. 


O Complexo Educacional que levará o nome de Anísio Teixeira nao é uma é uma ideia, é uma necessidade para nossa região. O nosso  querido e histórico IEAT, não mais atende aos  desejos dos nossos jovens, muito menos pratica os ensinamentos de Anísio. A memória que guardamos das histórias vividas nos corredores, nas salas de aula, das amizades feitas e dos olhares trocados ficarão nas nossas lembranças. 


Um lugar não pode ser contemplado pelo saudosismo de uma pseudo elite que  se esconde atrás das ideias de Anísio  para negar seu conservadorismo que mantém a cidade da cultura em berço esplêndido, na esteira da  “ terra do já foi” que parou no tempo. 


Resistir aos novos tempos e as mudanças não significa defender o legado de um passado exitoso que nos orgulha, mas que ficou para trás.  Caetité não pode permitir que a narrativa do atraso seja a locomotiva do desenvolvimento. É  hora de abraçar as oportunidades para nossa juventude e oferecer, na prática, aquilo que Anísio,  Paulo Freire,  Darcy Ribeiro,  Brizola e tantos outros lutaram para que fosse uma realidade na vida dos nossos estudantes.


É importante reafirmar a realização do Complexo Educacional de Caetité, para construirmos uma nova  história e colocar em prática aquilo  que Anísio pensou e escreveu para a Educação Brasileira, rechaçando todo e qualquer conservadorismo burguês e reacionário de quem acredita  que a mudança é apenas a contemplação do passado. 

                                                  Caetité-Ba.


OS BRAZI

 Por Gilvane Caldas -

    “O país real, esse é bom, revela os melhores instintos; mas o país oficial, esse é caricato e burlesco” – Machado de Assis.

    Pois bem, diante das circunstâncias que estamos vivendo com as mais variadas e controversas orientações para evitar a disseminação do "coronavírus", onde de um lado não se pode aglomerar, abraçar ou fazer festas ou até reuniões familiares, do outro, temos salas de aulas com quase 50 alunos um sobre o outro, não é um contrassenso? 

     Então, pelos avisos do Brasil oficial, não vai acontecer nenhum "ziriguidum" nesse carnaval, todo mundo vai trabalhar para recuperar o "tempo perdido" no Brasil Real. Mas como “o novo sempre vem” e o velho resiste, sempre, é hora de o Brasil Real acordar e dizer: 

    Ei, nosso Brasil no momento é outro, não pertencemos a esse Brasil oficial, depois do carnaval a gente tenta retomar os caminhos do Brasil oficial, antes não tem decreto e nem soldado na esquina para fazer a banda parar, o Brasil é real.

    O País real é “democrático” nele as pessoas sofrem e alegram-se quase que ao mesmo tempo, mas no Brasil oficial toda hora tem um sujeito iluminado ou com uma lanterna procurando um orifício para colocar a luz.  Já vi muita gente com poder de decisão, mas igual esse corona  não!  Bixim arretado, suspende carnaval, proíbe aglomeração, mas não tem poder para barrar as investidas do brasil oficial, esse quer todo mundo trabalhando, sem esse negócio de descer na boquinha da garrafa. 

    Estava teclando aqui e pensando, será que esse bicho não gosta de festa e a gente não foi informado? Bem que poderia ter nos avisado com antecedência e aí não teria feito plano para ir ao Brasil real. 

    Nesse Brasil teve gente comprando pacote de isolamento numa beira de rio, de lagoa, debaixo de ponta de lajedo e até mesmo na beira do mar, bem deserto, para não ter aglomeração e assim, descansar a cabeça, recarregar as energias para encarar o País oficial. 

Mas pelo adiantar da hora o jeito é guardar o saco com a farinha, soltar a galinha para o quintal, adiar a farofa e livrar das almas sebosas que contrariam nossos planos.

                     Caetité-Ba.


A BURGUESIA DESCONHECE O PT

 Por Gilvane Caldas 

A ascensão política e econômica da elite brasileira deu-se através do controle do estado por muito tempo, tendo como base de sua sustentabilidade a escravidão nos engenhos, no café e nos serviços. Foi assim até a "abolição" da escravatura em 1888, com o advento da Lei Áurea. O fim de uma cultura escravocrata não se dá por decreto de um dia para o outro, como apagar e acender uma lâmpada. É preciso trabalhar a  transformação da mente e da consciência através da cultura, da educação e da valorização dos diferentes.


As elites nacionais agrária e econômica de tradição racista, misógina, preconceituosa e violenta, principalmente a agrária, nunca perdeu seus laços com o escravagismo e junto com a econômica elas tentam manter o controle do estado como fonte indenizatória por ter perdido a mão de obra escrava após a promulgação da Lei Áurea, pois acreditam ter perdido as "bênçãos  escravas" para cuidar dos seus negócios e gozar dos lucros exorbitantes às custas do sofrimento e da exploração dos trabalhadores.


Todas às vezes que a classe trabalhadora tentou se organizar para fazer frente aos desmandos de governos impopulares e marcar posição dentro da política, tiveram seus interesses ameaçados e interrompidos por golpes, assassinatos, suicídios e prisões. Esse é o modus operandi da burguesia  nacional quando sente-se ameaçada em seus privilégios. 

O caso mais recente que provocou a insatisfação da elite foi quando  2002, elegeu-se um operário para a Presidência da República por um Partido nascido nos movimentos de base, do chão das fábricas, das favelas, dos quilombolas, dos sem moradia, dos trabalhadores, das igrejas progressistas, das mulheres, dos negros e dos indígenas. 


Nesse percurso de governos progressistas liderado pelo Partido dos Trabalhadores a burguesia nacional se organizou usando todos os instrumentos do estado desde a concessão de mídias ao judiciário para destruir as principais lideranças do Partido do Trabalhadores, realizando acusações infundadas, prisões arbitrárias e assim,  encontrar um recurso para eliminar a ideia da classe trabalhadora de um dia chegar ao poder e nele permanecer.


Porém, a elite por desconhecimento ou arrogância imaginaram ser o Partido dos Trabalhadores um partido como outro qualquer, nascido dos gabinetes de Brasília ou de São Paulo.  Não. O PT é  a expressão de desejos de transformação da sociedade brasileira.  É  a resistência organizada de quem não aceita mais ser tratado como segunda classe. A prisão do ex-presidente Lula é a radiografia desse modelo autoritário que não aceita a classe trabalhadora no orçamento do estado. No entanto, eles não contavam ou desconheciam a importância do poder de resistência de uma liderança popular nascida do seio do povo, que entende o sofrimento desse próprio povo e que conhece in lócus a realidade desses trabalhadores.


Após a instrumentalização de todo o aparato jurídico-midiático  usado contra os trabalhadores e a criminalização da política, temos na Presidência da República um fascista que destrói a economia, a cultura, a educação, a ciência e só dissemina o aumento  da fome, da miséria e da violência para o povo. O intruso chegou à Presidência em virtude do papel golpista empreendido pela burguesia que não aceitou o resultado das urnas em 2014, realizando um golpe em 2016 e prendendo o candidato do Partido dos Trabalhadores, líder nas pesquisas em 2018, retirando-o da disputa eleitoral de maneira arbitrária. Partindo do pressuposto de que ela desconhece ou ignora a Carta de fundação do Partido dos Trabalhadores, talvez não tenha percebido que os recursos por ela lançados, com intuito de construir uma "sociedade justa", sem os trabalhadores, seja algo impossível de se concretizar.


Só teremos uma sociedade igualitária em direitos sociais e econômicos quando o estado reconhecer a importância da participação e divisão do poder entre as classes dos trabalhadores e dos empresários. Caso contrário, não se tem uma democracia forte e consolidada. É  nesse contexto que ressurge a liderança de uma ideia, que não se aprisiona numa cela, que brota do seio da sociedade,  resistindo a todo e qualquer tipo de violência e exclusão do povo.

O Partido dos Trabalhadores e suas lideranças depois de serem execrados, atacados por longos períodos ressurgem com a força máxima para resgatar a soberania  nacional, a auto estima e o desejo de melhoria das condições de vida do povo brasileiro, sob a liderança inconteste de Luís Inácio Lula da Silva. A burguesia precisa saber, de uma vez por todas, que um líder popular nunca morre, pois suas  ideias fazem parte do imaginário  popular que  resistirá sempre.

Caetité-Ba


QUEM EXERCE PODER, NÃO PRECISA GRITAR!

 Por Gilvane Caldas.


Estamos vivendo uma escalada de violência policial nos últimos tempos. O sujeito empoderado pelo estado com a função de cumprir a lei e garantir a ordem não precisa se exaltar para exercer sua autoridade. O fato ocorrido em Sergipe com o assassinato do Genivaldo foi apenas mais um caso do despreparo policial em ações desastradas. Essa semana que terminou tivemos em Guanambi-Ba, uma ação policial que mostra um pouco do despreparo da nossa polícia para agir em determinadas circunstâncias. 


Ações policiais com aspectos autoritários precisam ser combatidas veementemente pela população e pelo estado, que não podem  ficar sempre desconfiados quando tem a necessidade dos serviços da polícia. É  evidente que não podemos generalizar o despreparo de alguns agentes igualando-os à instituição "Polícia Militar".


É momento da sociedade começar a discutir uma mudança no sistema de formação  militarizada e estrutural das polícias.  A população precisa de uma segurança pública que promova a cidadania, o respeito e a autoridade dentro dos parâmetros legais. Não precisamos de policiais que tenham como recurso o grito, o gás, a  força bruta e o tiro. Esses recursos devem ser lançados à mão em casos especiais quando o momento de fato exigir e não como via de regra.


  A sociedade brasileira precisa confiar na qualidade da instituição, pois precisa dos serviços das  policiais no seu dia a dia como garantias da lei e da ordem, mas essa ordem não pode ser de forma arbitrária que intimide, constranja tanto a pessoas comuns, assim como, os profissionais da imprensa de  cumprirem o papel de levar as informações corretas à população.


A ação do PM diante do repórter impedindo-o de fazer o seu trabalho demonstra que o despreparo policial é algo que precisa de uma intervenção do estado de maneira urgente para que fatos dessa natureza não voltem a ocorrer. Que tal fazer o que foi feito em São Paulo com a instalação de câmeras nos uniformes dos policiais para que se tenha um maior  controle das ações, e assim, evitar os destemperos de alguns agentes nas incursões. Bom pensar. 

Caetité-Ba.




A FOME PARA BOLSONARO É ATÉ 31 DE DEZEMBRO DE 2022

 Por Gilvane Caldas.

A fome para o Bolsonaro tem data de início e fim, depois é só fazer arminha que passa. Quando era deputado federal e até a sua candidatura para presidente dizia que o bolsa família era para o PT comprar votos dos idiotas. Sendo assim, Bolsonaro foi o único deputado a votar contra o Fundo de Combate à Pobreza. Nada melhor que um dia após o outro para esse discurso virar pó, tanto na boca do presidente quanto de seus apoiadores. 


Inventaram um tal crime de responsabilidade, chamado de pedaladas fiscais, sem comprovação,  simplesmente para cassar  o mandato da Presidenta Dilma, de forma arbitrária e através de um golpe jurídico-parlamentar com apoio da grande mídia "com supremo e com tudo" que chegou-se ao veredito final e nos mergulharam nesse caos que estamos.


 E agora?


Agora, no desespero sabendo que será derrota em outubro, segundo as pesquisas, o presidente tenta através de uma Proposta de Emenda Constitucional legalizar a compra de votos mais escandalosa da República, com a aquiescência do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira,  atropelando o regimento interno da casa, não respeitando os interstícios para votação, mentindo, induzindo haver problemas na Internet para suspender a sessão ao perceber que não havia voto suficiente,  em plenário, para aprovar a PEC da compra de votos.


O desgoverno Bolsonaro está descaradamente sob os olhos vendados da justiça implementando medidas eleitoreiras através de uma Emenda Constitucional que tem como propósito oferecer benesses em véspera de eleição, caracterizando como compra de votos a quase três meses do pleito. Essa ação visa criar benefícios sociais que durarão até 31 de dezembro. A PEC da emergência é uma farsa eleitoral que não tem o propósito inicial de ajudar as famílias necessitadas. Se assim fosse, não teria sido votada de forma açodada. O governo está simplesmente tentando comprar os votos necessários para chegar pelo menos ao segundo turno das eleições e tentar uma virada de mesa, já que dentro das regras do jogo democrático o Bolsonaro será derrotado fragorosamente.

 

É importante que a sociedade brasileira, especialmente às pessoas beneficiárias, saibam que um programa dessa natureza não pode ser apenas em caráter oportunista e eleitoreiro, que visa enganar as pessoas simples, necessitadas que tiveram sua renda familiar diminuída ou extinta em consequência da própria política econômica aplicada pelo governo federal. 


O carestia é o resultado da dolarização do petróleo  adotada pelo governo federal. Como consequência dessa política desatrosa temos o aumento dos preços dos alimentos, da água, da energia dos aluguéis e dos serviços, além da priorização das exportações de commodities sem se preocupar com o abastecimento interno. Todo esse conjunto de ações produz um reflexo direto na economia das famílias, causando cada vez mais o seu empobrecimento. 


O Auxílio-Brasil neste momento é importante para amenizar o sofrimento de milhares de pessoas, mas não é o suficiente para tirar da extrema pobreza as pessoas que foram sendo submetidas a partir dos governos de Temer e de Bolsonaro. Querer usar as necessidades básicas de milhões de brasileiros para explorar midiaticamente como bondade do governo e depois tirar proveito eleitoral da situação é de uma canalhice sem igual.

Caetité-Ba.


O OPERÁRIO E O PROFESSOR

  Por Gilvane Caldas.

No dia 30 de Outubro de 2022, essa data será um marco para a história do Brasil e da Bahia. O Brasil nasceu na Bahia, foi aqui que Cabral aportou pela primeira vez para daí começar a expansão e a exploração das terras brasileiras em busca de desenvolvimento e riqueza. É daqui do Nordeste que brotará a resistência ao fascismo sem nenhum temor levando ao poder dois trabalhadores comprometidos com a justiça social.


O dia 30 foi marcado pela ascensão de duas figuras que têm nas suas origens as marcas das dificuldades, a pobreza,  a falta de oportunidades para vencer na vida. No entanto, cada um construiu sua carreira profissional centrada na luta pela defesa dos direitos dos trabalhadores. O Lula se transformou no grande líder político/sindical a partir das portas das fábricas no centro-sul do Brasil, já Jerônimo Rodrigues, esse foi gestado do campo, menino da roça que estudou em escola pública e depois foi para a Universidade também Pública onde se tornou professor.


O orgulho do momento é saber que tanto o Lula quanto o Jerônimo Rodrigues, chegaram aos cargos mais altos através do voto popular, em virtude dos compromissos construídos ao longo de suas vidas: um se tornou presidente da República  e o outro Governador do Estado da Bahia. A classe trabalhadora no Brasil e na Bahia está de alma lavada, pois a vitória deles,  nesse momento, é o sinal que não há impedimento para que um menino do Sertão ou da periferia independente da origem busque alcançar seus objetivos.


As vitórias do operário e do professor trazem esperanças ao povo brasileiro. Elas significam nada mais que nada menos um avanço na consciência política do povo trabalhador. É uma vitória da classe operária, daqueles que todos os dias batalham pela sua sobrevivência e construção de um País melhor. 

 Caetité-Ba.




IMPRENSA E GUERRA

 Por Gilvane Caldas. 

Em tempos de Guerra, as narrativas tanto de um lado quanto do outro fazem parte do jogo. Cada um informa apenas o que lhes interessa de acordo com suas conveniências, isso porque há necessidade de solidificar além da batalha campal, faz parte das estratégias de cada guerreiro enfraquecer o inimigo através da guerra psicológica.


Cada sujeito participante da batalha utiliza a sua melhor estratégia para vencer o oponente, é aí que vale todo tipo de informação. A imprensa na maioria das vezes não consegue acompanhar os fatos e acontecimentos nos bastidores em tempo real.


A imprensa corporativa e capitalista tem feito a cobertura da Guerra entre Rússia e Ucrânia de forma parcial, ou seja, tem usado de artimanhas que não condiz com a realidade dos fatos no jogo de poder nas relações internacionais. A grande mídia nacional acompanhada pelas "tupiniquins" da nossa região tem seguido na mesma direção, ou seja, os comentários feitos sobre a Guerra não abordam os fatos verdadeiros que a produziram. 


Todo o noticiário veiculado na mídia tradicional dá conta de que a Rússia simplesmente invadiu a Ucrânia. Na verdade, o que a Rússia está fazendo é justamente defender o seu território de inimigos poderosíssimos que fazem Guerra por procuração. O comediante presidente, Zelenski, foi patrocinado e eleito por um bilionário ucraniano dono de canal de TV. 


Após a segunda Grande Guerra,  fundou-se a OTAN, com objetivo de garantir segurança político-militar aos seus países membros e alinhados ideologicamente, mas também não permitir o avanço de ideias socialistas dos países das ex-Repúblicas Socialistas Soviéticas.


 "A história inicial da Otan envolve ainda outras motivações dos países fundadores, como a oposição aos regimes socialistas existentes no Leste Europeu e a contenção ao nacionalismo exacerbado evidenciado em muitas nações do Oeste Europeu. Com o passar dos anos, a Otan passou a admitir novos países-membros, como Canadá, Alemanha e Turquia, e também nações da antiga zona de influência soviética na Guerra Fria, como Estônia, Letônia, Lituânia e Polônia".


"Em contraposição a OTAN,  a resposta dos países alinhados com a ex-União Soviética em 1955 foi a criação do Pacto de Varsóvia, apoiado pelos países do bloco socialista e criado nos mesmos moldes da rival". Esses acordos previam protocolos que essas organizações não poderiam absorver outros países. No entanto, os Estados Unidos nunca cumpriram esses tratados e foram aos poucos incluindo os países do bloco socialista na sua composição, e assim, desestabilizando e derrubando governos eleitos democraticamente ou alimentando grupos neonazistas internos como no caso da Ucrânia com o golpe em 2014.


O que a imprensa não noticia são as razões pelas quais a Rússia invadiu a Ucrânia e assim, tenta com toda força vitimizá-la. Quem empurrou a Rússia para a Guerra foi justamente os Estados Unidos com sua política expansionista autoritária, violenta e golpista, ameaçando a soberania dos Russos de maneira indireta. Os exemplos mais recentes foram as invasões Estadunidense no Afeganistão, Iraque, Líbia  e atualmente no Iêmen que a mídia mundial ignora ou esconde. Não podemos aceitar a Guerra como o caminho para a resolução dos conflitos políticos e econômicos entre as nações. 


Enquanto os Estados Unidos se sentirem como a "polícia do mundo" teremos as guerras induzidas por eles ou feitas por procuração, como no caso da Ucrânia.

A Ucrânia teve um governo derrubado por golpistas patrocinados pelos americanos e europeus em 2014. Aqui no Brasil a Lava Jato foi patrocinada pelos Estados Unidos e fez o mesmo papel, porém, a diferença foi que não houve reação armada de nenhum vizinho Latino.


O que a Rússia está fazendo é atacar o filho mais novo que juntou com os inimigos dos pais para se tornar independente e ameaçar a família a partir do quintal da casa. Nesse caso só restou a Putin não permitir que sua casa fosse transformada num quintal dos americanos para no futuro assaltar suas riquezas como fazem no resto do mundo.


O trágico disso é que as informações da Guerra saem todas dos Estados Unidos como se eles fossem os donos da verdade, sem ouvir nenhuma opinião contrária às narrativas americanas e europeias que tentam desesperadamente colocar o presidente Russo para o resto do mundo como um ditador  e 6facínora. 


Os Estados Unidos não aceitam a mudança geopolítica de poder capitaneado economicamente pelo bloco Índia, Rússia e China,  como novo bloco de poder na região. Para impedir esse deslocamento econômico os americanos tentam cooptar países e aliados internos para derrubar governos e provocar instabilidade política nesses países. O apoio militar e financeiro à Ucrânia por parte dos europeus e americanos sem estarem diretamente envolvidos no campo de batalha é  um  sinal dos mais claros de que os objetivos deles não são selar um acordo de paz de verdade. Essa é apenas uma retórica de quem sempre "joga pedra e esconde a mão".


Diante da narrativa predominante e dos interesses escusos de americanos e europeus, a democracia em cada país vai sendo surrupiada de forma sutil, diante de um povo desprotegido e bombardeado igualmente na guerra por informações manipuladas que não correspondem inteiramente com a verdade dos fatos. Desmoralizar um governante, um adversário ou condená-lo antes mesmo de ser julgado é uma estratégia de guerra do mundo capitalista atual, que coloca em jogo todo um sistema democrático, substituindo pela força do poder militar ou por regimes fascistas,  nazistas travestidos de democráticos. 


Uma imprensa vil transforma o seu povo em seguidores de fascistas e massa de manobra capaz de acreditar nas mais absurdas mentiras. O jornalismo feito com imparcialidade, passa pela busca da verdade, ouvindo os contraditórios com isenção. Tomar um lado da notícia como de interesse do patronato é escamotear a verdade flertando com o mau caratismo. O propósito da imprensa corporativa não é informar ao povo e sim moldar sua clientela para atender aos interesses do mundo capitalista.

Caetité-Ba.



A ORGIA DA ARMADAS

 Por Gilvane Caldas 14/04/22.


Os pobres mortais sempre tiveram informações de que as Forças Armadas compravam e construíam munições, armas, navios,  tanques e aviões preparando-se para uma possível Guerra. 


Mas como as coisas estão mudando com uma velocidade imensurável e com elas também as informações e os conceitos, é  provável que também o conceito de Forças Armadas como previsto na Constituição de 88, também tenha mudado. Afinal, muda-se a Constituição quase que toda hora, pode ser que uma nova orientação procedimental tenha sido incluída e a onda agora é guerra de espadas no quartel.


Nesse grande conflito interno as armas tradicionais não resolvem os problemas de relacionamento da tropa, pois uma guerra é iniciada justamente por não existir amor entre os adversários, ou mesmo, um relacionamento não correspondido a altura.


Em tempos modernos de muita sensibilidade para tratar de assuntos tão delicados, nada mais justo que substituir as armas de Guerra que só geram violência e mal-querer por instrumentos que valorizam o amor de todas as formas. Sendo assim, nossas Forças Armadas não serão chamadas de homofóbicas,  machistas ou qualquer outro apelido pejorativo.


O caro leitor não imagina a coragem de uma instituição comprar para seus membros viagra, remédio para queda de cabelo, prótese peniana, gel lubrificante, sem falar nos comes e bebes. Esses objetos, nessas condições, geralmente são adquiridos de maneira bem discreta, sem alarde. Ah! Não ouvir falar se tinha camisinha, se não comprou foi falha na   licitação, precisa ser revista, tem que fazer um aditivo no processo com a margem de segurança que o Ministério da Saúde recomenda. Afinal, aids, sífilis, gonorreia, ou seja,  as DSTs, em geral, precisam ser controladas com ajuda das Forças Armadas de fato. 


Como o Brasil é um país de temperatura tropical com variações  de região para região, a Guerra como sugestão deve acontecer no período da noite. Talvez no Sul, possa  acontecer alguns desentendimentos durante o dia, lá a temperatura ajuda apesar do bafo de onça e o fungando no cangote  pode-se de forma suave. Mas no resto do país, um cabra barrigudo, cueca com freada de bicicleta, chegado da mata, bigode sem fazer, um burdun de chulé querer usar os instrumentos para a Guerra noturna, se o portão do quartel estiver vedado, muriçoca e pernilongo entram pelo cano como nunca na história de uma guerra. 


O problema dessa Guerra é a canseira da tropa, além de incomodar a vizinhança do quartel. Quem está de fora não vai entender tantos Aaai, e tantos Uuui!, é uma gemedeira  geral, é muita sensibilidade. Nessa hora o recruta ouve do capitão:

-Traga o gel, o outro já grita.

  -  Não esqueça a camisinha, 

O do financeiro comenta: 

      - Não consta na licitação. 

Outro desavisado pergunta: 

      - Tomou o viagra?

Isso sim, são as  Forças Armadas do Cassete do Brasil.

                       Caetité-Ba.