sábado, 3 de janeiro de 2026

O SEQUESTRO AMERICANO NA VENEZUELA


Fonte site 247

Imagem arquivo site 247

     Por Gilvane Caldas

Os democratas do mundo precisam externar o mais profundo e veemente repúdio à ofensiva promovida pelos Estados Unidos contra a República Bolivariana da Venezuela, que se agravou na madrugada do dia 3 de janeiro de 2026, com o sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, em uma ação militar realizada em território soberano  da Venezuela.

A agressão não é um fato isolado. Ela se insere em uma escalada de violações do direito internacional que inclui o sequestro de navios petroleiros e ataque a  barcos dobre o pretexto do combate ao tráfico de drogas sem apresentar provas. Os ataques à Venezuela fere a soberania econômica do país somados às sanções unilaterais que penalizam duramente o povo venezuelano. Essas ações configuram práticas de pirataria, intervenção estrangeira e desrespeito frontal aos princípios da autodeterminação dos povos e da não-intervenção.

O sequestro de um chefe de Estado eleito, sem qualquer respaldo da Organização das Nações Unidas ou de organismos multilaterais, representa um ataque gravíssimo à ordem internacional, além de estabelecer um precedente perigoso para toda a América Latina e o mundo. A narrativa desse método esconde uma segunda intenção, que é controlar as reservas de petróleo e minerais raros naquele país e região. As práticas autoritárias e conflitos internos de cada país precisam ser resolvidas pelo seu próprio povo e não por quem se considera polícia do mundo.

É fundamental rejeitar qualquer tentativa de justificar essa agressão sob o pretexto de combate ao crime ou defesa da democracia. A história demonstra que intervenções militares estrangeiras produzem instabilidade, sofrimento humano e retrocessos democráticos. O ataque a Venezuela não se funda na defesa da democracia, é um artifício do imperialismo que se coloca como polícia do mundo, com suas regras próprias, sem considerar as regras internacionais.

A narrativa estadunidense primeiro acusando o seu algoz ideológico de liderar organizações criminosas e terroristas é uma método usado inicialmente para convencer populações da necessidade da intervenção, sem que haja resistência do próprio povo ou organismos internacionais. O experimento iniciou com sequestro de navios petroleiros na costa daquele país, sem que houvesse a manifestação firme de autoridades democráticas pelo mundo. A prática americana no Iraque e na Líbia foi a mesma, acusando seus dirigentes sem provas, assassinando-os inclusive. Agora é aqui pertinho, hoje foi a Venezuela e amanhã …?


Dessa forma, a prática intervencionista na América Latina coloca em risco toda a região, pois se assim, sendo a regra, todos os líderes da região que não cederem aos caprichos dos norte-americanos estarão sob risco de serem sequestrados e suas riquezas penhoradas como forma de controle e submissão. Normalizar o que aconteceu hoje na Venezuela é abrir mão da autodeterminação dos povos e da integridade de cada nação. É permitir a transformação da América Latina e do Caribe num quintal dos Estado Unidos para imprimir uma nova forma de colonização e exploração. Aqui deixo parte da minha indignação contra esse tipo de intervenção!

Caetité-Ba.