Por Gilvane Caldas.
Em tempos de Guerra, as narrativas tanto de um lado quanto do outro fazem parte do jogo. Cada um informa apenas o que lhes interessa de acordo com suas conveniências, isso porque há necessidade de solidificar além da batalha campal, faz parte das estratégias de cada guerreiro enfraquecer o inimigo através da guerra psicológica.
Cada sujeito participante da batalha utiliza a sua melhor estratégia para vencer o oponente, é aí que vale todo tipo de informação. A imprensa na maioria das vezes não consegue acompanhar os fatos e acontecimentos nos bastidores em tempo real.
A imprensa corporativa e capitalista tem feito a cobertura da Guerra entre Rússia e Ucrânia de forma parcial, ou seja, tem usado de artimanhas que não condiz com a realidade dos fatos no jogo de poder nas relações internacionais. A grande mídia nacional acompanhada pelas "tupiniquins" da nossa região tem seguido na mesma direção, ou seja, os comentários feitos sobre a Guerra não abordam os fatos verdadeiros que a produziram.
Todo o noticiário veiculado na mídia tradicional dá conta de que a Rússia simplesmente invadiu a Ucrânia. Na verdade, o que a Rússia está fazendo é justamente defender o seu território de inimigos poderosíssimos que fazem Guerra por procuração. O comediante presidente, Zelenski, foi patrocinado e eleito por um bilionário ucraniano dono de canal de TV.
Após a segunda Grande Guerra, fundou-se a OTAN, com objetivo de garantir segurança político-militar aos seus países membros e alinhados ideologicamente, mas também não permitir o avanço de ideias socialistas dos países das ex-Repúblicas Socialistas Soviéticas.
"A história inicial da Otan envolve ainda outras motivações dos países fundadores, como a oposição aos regimes socialistas existentes no Leste Europeu e a contenção ao nacionalismo exacerbado evidenciado em muitas nações do Oeste Europeu. Com o passar dos anos, a Otan passou a admitir novos países-membros, como Canadá, Alemanha e Turquia, e também nações da antiga zona de influência soviética na Guerra Fria, como Estônia, Letônia, Lituânia e Polônia".
"Em contraposição a OTAN, a resposta dos países alinhados com a ex-União Soviética em 1955 foi a criação do Pacto de Varsóvia, apoiado pelos países do bloco socialista e criado nos mesmos moldes da rival". Esses acordos previam protocolos que essas organizações não poderiam absorver outros países. No entanto, os Estados Unidos nunca cumpriram esses tratados e foram aos poucos incluindo os países do bloco socialista na sua composição, e assim, desestabilizando e derrubando governos eleitos democraticamente ou alimentando grupos neonazistas internos como no caso da Ucrânia com o golpe em 2014.
O que a imprensa não noticia são as razões pelas quais a Rússia invadiu a Ucrânia e assim, tenta com toda força vitimizá-la. Quem empurrou a Rússia para a Guerra foi justamente os Estados Unidos com sua política expansionista autoritária, violenta e golpista, ameaçando a soberania dos Russos de maneira indireta. Os exemplos mais recentes foram as invasões Estadunidense no Afeganistão, Iraque, Líbia e atualmente no Iêmen que a mídia mundial ignora ou esconde. Não podemos aceitar a Guerra como o caminho para a resolução dos conflitos políticos e econômicos entre as nações.
Enquanto os Estados Unidos se sentirem como a "polícia do mundo" teremos as guerras induzidas por eles ou feitas por procuração, como no caso da Ucrânia.
A Ucrânia teve um governo derrubado por golpistas patrocinados pelos americanos e europeus em 2014. Aqui no Brasil a Lava Jato foi patrocinada pelos Estados Unidos e fez o mesmo papel, porém, a diferença foi que não houve reação armada de nenhum vizinho Latino.
O que a Rússia está fazendo é atacar o filho mais novo que juntou com os inimigos dos pais para se tornar independente e ameaçar a família a partir do quintal da casa. Nesse caso só restou a Putin não permitir que sua casa fosse transformada num quintal dos americanos para no futuro assaltar suas riquezas como fazem no resto do mundo.
O trágico disso é que as informações da Guerra saem todas dos Estados Unidos como se eles fossem os donos da verdade, sem ouvir nenhuma opinião contrária às narrativas americanas e europeias que tentam desesperadamente colocar o presidente Russo para o resto do mundo como um ditador e 6facínora.
Os Estados Unidos não aceitam a mudança geopolítica de poder capitaneado economicamente pelo bloco Índia, Rússia e China, como novo bloco de poder na região. Para impedir esse deslocamento econômico os americanos tentam cooptar países e aliados internos para derrubar governos e provocar instabilidade política nesses países. O apoio militar e financeiro à Ucrânia por parte dos europeus e americanos sem estarem diretamente envolvidos no campo de batalha é um sinal dos mais claros de que os objetivos deles não são selar um acordo de paz de verdade. Essa é apenas uma retórica de quem sempre "joga pedra e esconde a mão".
Diante da narrativa predominante e dos interesses escusos de americanos e europeus, a democracia em cada país vai sendo surrupiada de forma sutil, diante de um povo desprotegido e bombardeado igualmente na guerra por informações manipuladas que não correspondem inteiramente com a verdade dos fatos. Desmoralizar um governante, um adversário ou condená-lo antes mesmo de ser julgado é uma estratégia de guerra do mundo capitalista atual, que coloca em jogo todo um sistema democrático, substituindo pela força do poder militar ou por regimes fascistas, nazistas travestidos de democráticos.
Uma imprensa vil transforma o seu povo em seguidores de fascistas e massa de manobra capaz de acreditar nas mais absurdas mentiras. O jornalismo feito com imparcialidade, passa pela busca da verdade, ouvindo os contraditórios com isenção. Tomar um lado da notícia como de interesse do patronato é escamotear a verdade flertando com o mau caratismo. O propósito da imprensa corporativa não é informar ao povo e sim moldar sua clientela para atender aos interesses do mundo capitalista.
Caetité-Ba.
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