quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

NÃO SOMOS O PAÍS DO FUTEBOL

 Por Gilvane Caldas.

De quatro em quatro anos parte do povo brasileiro, amante do futebol, se prepara e mobiliza para prestigiar o mais importante evento do futebol mundial: a Copa do Mundo. É  uma pena que parte do povo brasileiro não compreenda a dimensão da política  social e econômica do Brasil numa perspectiva de mobilização para a transformação da realidade, ou seja, a ignorância política os motiva apenas para coisas sem importância como o futebol.


Porém, o futebol não deveria ser considerado um evento desvinculado do mundo político e por conseguinte das suas mazelas. A Seleção Brasileira de Futebol tem sido usada de vez em quando por governos oportunistas e dirigentes de federações corruptos, presidentes de clubes que sustentam  uma Confederação Brasileira de Futebol CBF, entidade que deveria ser extinta da vida futebolística ou ser expurgada de seus dirigentes atuais para o bem do futebol brasileiro,  alguns já foram até presos outros são investigados  pela Polícia Internacional. 


Não podemos vencer um campeonato mundial e achar que somos o país do futebol, tendo o futebol profissional gerido por gente inescrupulosa que pratica e esconde as mazelas mais abjetas possíveis: Temos uma geração de atletas que não possui a capacidade para se manifestar sobre a violência  contra as mulheres no Oriente Médio,  da discriminação contra as minorias etno raciais e de gênero, da falta de empregos, de educação de qualidade, de segurança,  de saúde públicas, da falta de vacinas,  do aumento da violência policial, do racismo e do preconceito estrutural e das guerras insanas dos poderosos. É uma geração insensível.


A nossa tristeza não pode vir pela compaixão do choro falso de Neymar e companhia. A nossa tristeza vem da fome que ataca interior de milhões de lares brasileiros e não das lágrimas de quem apoiou um governo fascista,  de quem ganha milhões e sonega impostos. A Seleção Brasileira de Futebol ladeada por agentes inescrupulosos não nos representa enquanto povo brasileiro que luta por justiça e igualdade social.


Esse Brasil sendo campeão seria  a prova de que a impunidade nos negócios do submundo do futebol, organizado por gente desonesta, com apoio da grande imprensa e o monopólio da Rede Globo, com jogadores que na sua maioria são oriundos de famílias e comunidades pobres que enriqueceram e logo abandonaram suas origens, perdendo o vínculo com o seu povo, flertando com a extrema direita, participando de banquete com carne folheada a ouro, enquanto a fome atormenta milhares de lares mundo afora.


O Brasil que precisa ser campeão entrará em outro campo no dia 1° de Janeiro de 2023. Essa é a Copa do Mundo em que 215 milhões de brasileiros vão entrar em campo para vencer. O troféu buscado aqui é o do combate à fome, da desigualdade, da distribuição da renda, da inclusão social e da democracia. Fora disso,  o choro é uma produção de lágrimas desvinculada do sentimento de angústia que reside nos corações dos brasileiros e brasileiras.

Caetité-Ba.



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