quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

OS TRABALHADORES E A POLÍTICA


Por Gilvane Caldas 15/04/22.


A Classe trabalhadora é a maior organização social constituída na base de qualquer sociedade. O posicionamento político que ela toma deve refletir os interesses da categoria, pois é  ela a produtora de toda a riqueza e bem estar social.

No entanto, como essa classe na sua grande maioria não é politizada, não é possível fazer uma correlação de forças entre as necessidades dos trabalhadores e de seus familiares com o programa de governo e seus representantes escolhidos nas eleições.


A interferência da narrativa burguesa através dos meios de comunicação e a pouca formação intelectual de parte do povo, em virtude da baixa qualidade da educação, quando oferecida para essa categoria, os transforma num alvo fácil para a manipulação ideológica em períodos eleitorais.


Em determinadas situações, como na hora do voto, é possível perceber essa característica em  parte do eleitorado de não compreender a funcionalidade dos partidos políticos, dos programas de governos, das propostas e características de cada candidato(a), do real compromisso que cada um(a) apresenta para solução dos problemas. Essa falta de compreensão produz um cidadão insatisfeito  com a gestão pública e descrente da importância do seu engajamento e participação nas decisões  ou escolhas políticas. O afastamento político do trabalhador das instâncias partidárias e das organizações sindicais é  consequência da ausência do trabalho de formação na base. A tarefa para o  desenvolvimento da consciência política do trabalhador não é  algo que se dá de uma hora para outra, leva um certo tempo. É  preciso criar escolas que atendam os interesses da categoria de trabalhadores, que busque a formação técnica sem deixar de lado a completa formação humanista, filosófica, cidadã e política.


O trabalho de base não  precisa necessariamente ser entre quatro paredes de uma escola tradicional, pode ser sob uma árvore, na sala da associação comunitária, no salão de uma igreja, no refeitório da fábrica, na fila do banco ou mesmo na mesa de um bar. Essa formação se dá através do diálogo da exposição de motivos e razões pelas quais a classe trabalhadora produz a riqueza mas não usufrui dela. 


A escolha da classe política para a representação dos interesses trabalhistas, no Estado, como mediador dos conflitos entre a burguesia e o proletariado perpassa pela formação de base feita pelos partidos políticos de esquerda, pelos sindicatos e organizações progressistas que representam os anseios dos trabalhadores. É  a partir dessa formação e das  escolhas feitas que se define de que lado o Estado  se posiciona, se social e justo ou burguês capitalista explorador.


A prova dessa falsa representatividade tanto do executivo quanto no legislativo é  o governo Bolsonaro que elegeu-se mentindo, dizendo para o povo que faria um governo justo, transparente e extremamente técnico para resolver parte dos problemas da população. Muita gente "inocente" acreditou nisso. O mesmo ocorreu no Parlamento, a maioria dos deputados eleitos demonstraram não ter nenhuma afinidade com as causas do povo. Simplesmente passaram a representar os interesses das corporações que de fato são seus patrocinadores. O eleitor nesse caso foi usado como ferramenta de afirmação da falsa representatividade dos trabalhadores.


Caetité-Ba.


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