Por Gilvane Caldas .
No interior da Bahia, precisamente na cidade de Caetité, terra onde nasceu um dos maiores Educadores do mundo: Anísio Teixeira, instalou-se uma polêmica, tipo aquela que leva do nada para lugar nenhum, ou seja, nada muda, tudo estaciona no porto do saudosismo que muitas vezes impede as transformações necessárias que um povo precisa. Isso é geralmente atrelado à postura de indivíduos não progressistas que sempre reagem ao sentir seu comodismo ameaçado.
Essa pode ser a postura daqueles que sempre se esconderam atrás de uma bandeira, apenas por status, e não pela luta ou pela transformação da sociedade, carecendo do compromisso para assumir de fato a causa da igualdade de acesso e permanência dos educandos numa escola pública de qualidade como defendia e acreditava Anísio Teixeira.
Levantar uma bandeira de oposição oportunista, como arautos da preservação da memória nessas circunstâncias não parece ser razoável, pois não se nota nesses porta-vozes, um exemplo que lembre a obra de Anísio. Cultuar a memória por si só, não expressa nem de longe o que os defensores da teoria e prática Anisiana estão defendendo, uma escola pública e de qualidade para todos.
O Complexo Educacional previsto para ser instalado em Caetité é justamente o que pensava Anísio Teixeira, uma escola que possa oferecer conforto, conhecimento e autonomia aos nossos estudantes.
Promover a transformação de um determinado ambiente, não significa sua extinção ou apagamento da sua memória, pelo contrário, pode ser uma ressignificação dessa mesma história que alguns pensam em conservar intacta, história essa que no passado foi importante para o desenvolvimento da região, mas que hoje, a realidade nos impõe a criação de um novo homem e de uma nova mulher, ou seja, a camisa não nos serve mais.
O Complexo Educacional que levará o nome de Anísio Teixeira nao é uma é uma ideia, é uma necessidade para nossa região. O nosso querido e histórico IEAT, não mais atende aos desejos dos nossos jovens, muito menos pratica os ensinamentos de Anísio. A memória que guardamos das histórias vividas nos corredores, nas salas de aula, das amizades feitas e dos olhares trocados ficarão nas nossas lembranças.
Um lugar não pode ser contemplado pelo saudosismo de uma pseudo elite que se esconde atrás das ideias de Anísio para negar seu conservadorismo que mantém a cidade da cultura em berço esplêndido, na esteira da “ terra do já foi” que parou no tempo.
Resistir aos novos tempos e as mudanças não significa defender o legado de um passado exitoso que nos orgulha, mas que ficou para trás. Caetité não pode permitir que a narrativa do atraso seja a locomotiva do desenvolvimento. É hora de abraçar as oportunidades para nossa juventude e oferecer, na prática, aquilo que Anísio, Paulo Freire, Darcy Ribeiro, Brizola e tantos outros lutaram para que fosse uma realidade na vida dos nossos estudantes.
É importante reafirmar a realização do Complexo Educacional de Caetité, para construirmos uma nova história e colocar em prática aquilo que Anísio pensou e escreveu para a Educação Brasileira, rechaçando todo e qualquer conservadorismo burguês e reacionário de quem acredita que a mudança é apenas a contemplação do passado.
Caetité-Ba.

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