Por Gilvane Caldas
A ascensão política e econômica da elite brasileira deu-se através do controle do estado por muito tempo, tendo como base de sua sustentabilidade a escravidão nos engenhos, no café e nos serviços. Foi assim até a "abolição" da escravatura em 1888, com o advento da Lei Áurea. O fim de uma cultura escravocrata não se dá por decreto de um dia para o outro, como apagar e acender uma lâmpada. É preciso trabalhar a transformação da mente e da consciência através da cultura, da educação e da valorização dos diferentes.
As elites nacionais agrária e econômica de tradição racista, misógina, preconceituosa e violenta, principalmente a agrária, nunca perdeu seus laços com o escravagismo e junto com a econômica elas tentam manter o controle do estado como fonte indenizatória por ter perdido a mão de obra escrava após a promulgação da Lei Áurea, pois acreditam ter perdido as "bênçãos escravas" para cuidar dos seus negócios e gozar dos lucros exorbitantes às custas do sofrimento e da exploração dos trabalhadores.
Todas às vezes que a classe trabalhadora tentou se organizar para fazer frente aos desmandos de governos impopulares e marcar posição dentro da política, tiveram seus interesses ameaçados e interrompidos por golpes, assassinatos, suicídios e prisões. Esse é o modus operandi da burguesia nacional quando sente-se ameaçada em seus privilégios.
O caso mais recente que provocou a insatisfação da elite foi quando 2002, elegeu-se um operário para a Presidência da República por um Partido nascido nos movimentos de base, do chão das fábricas, das favelas, dos quilombolas, dos sem moradia, dos trabalhadores, das igrejas progressistas, das mulheres, dos negros e dos indígenas.
Nesse percurso de governos progressistas liderado pelo Partido dos Trabalhadores a burguesia nacional se organizou usando todos os instrumentos do estado desde a concessão de mídias ao judiciário para destruir as principais lideranças do Partido do Trabalhadores, realizando acusações infundadas, prisões arbitrárias e assim, encontrar um recurso para eliminar a ideia da classe trabalhadora de um dia chegar ao poder e nele permanecer.
Porém, a elite por desconhecimento ou arrogância imaginaram ser o Partido dos Trabalhadores um partido como outro qualquer, nascido dos gabinetes de Brasília ou de São Paulo. Não. O PT é a expressão de desejos de transformação da sociedade brasileira. É a resistência organizada de quem não aceita mais ser tratado como segunda classe. A prisão do ex-presidente Lula é a radiografia desse modelo autoritário que não aceita a classe trabalhadora no orçamento do estado. No entanto, eles não contavam ou desconheciam a importância do poder de resistência de uma liderança popular nascida do seio do povo, que entende o sofrimento desse próprio povo e que conhece in lócus a realidade desses trabalhadores.
Após a instrumentalização de todo o aparato jurídico-midiático usado contra os trabalhadores e a criminalização da política, temos na Presidência da República um fascista que destrói a economia, a cultura, a educação, a ciência e só dissemina o aumento da fome, da miséria e da violência para o povo. O intruso chegou à Presidência em virtude do papel golpista empreendido pela burguesia que não aceitou o resultado das urnas em 2014, realizando um golpe em 2016 e prendendo o candidato do Partido dos Trabalhadores, líder nas pesquisas em 2018, retirando-o da disputa eleitoral de maneira arbitrária. Partindo do pressuposto de que ela desconhece ou ignora a Carta de fundação do Partido dos Trabalhadores, talvez não tenha percebido que os recursos por ela lançados, com intuito de construir uma "sociedade justa", sem os trabalhadores, seja algo impossível de se concretizar.
Só teremos uma sociedade igualitária em direitos sociais e econômicos quando o estado reconhecer a importância da participação e divisão do poder entre as classes dos trabalhadores e dos empresários. Caso contrário, não se tem uma democracia forte e consolidada. É nesse contexto que ressurge a liderança de uma ideia, que não se aprisiona numa cela, que brota do seio da sociedade, resistindo a todo e qualquer tipo de violência e exclusão do povo.
O Partido dos Trabalhadores e suas lideranças depois de serem execrados, atacados por longos períodos ressurgem com a força máxima para resgatar a soberania nacional, a auto estima e o desejo de melhoria das condições de vida do povo brasileiro, sob a liderança inconteste de Luís Inácio Lula da Silva. A burguesia precisa saber, de uma vez por todas, que um líder popular nunca morre, pois suas ideias fazem parte do imaginário popular que resistirá sempre.
Caetité-Ba
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