quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

TERCEIRA VIA, OS DESESPERADOS

 Por Gilvane Caldas12/04/22. 

A busca desesperada pela burguesia por uma alternativa política para as eleições de outubro próximo está sendo chamada pelo nome  de "terceira via''. No imaginário de qualquer pessoa isso representaria uma alternativa às  duas vias preexistentes por não atenderem às necessidades do momento.  O que parece aqui não é o caso.


O problema é que a tal da "terceira via" cantada em prosa e verso não representa uma alternativa às candidaturas do PT  e de Bolsonaro. A terceira via é uma dissidência da extrema direita Bolsonarista que defende os mesmos propósitos políticos da matriz  econômica em andamento no país, como redução do papel do estado, desindustrialização e  submissão ao capital especulativo internacional.


A impossibilidade da existência dessa terceira via se dá justamente por ela não encontrar uma narrativa que faça contraponto aos dois candidatos que polarizam a disputa segundo as pesquisas até o momento. A terceira via é o Bolsonarismo desorientado, insatisfeito, por não ter conseguido implementar suas políticas neoliberais da forma desejada.  O calvário dessa inexistente corrente é construir um discurso que faça oposição não só à esquerda, mas principalmente à extrema direita, representada pelo Bolsonarismo. Nesse  caso  seria necessário uma fissura no campo conservador o que abriria mais caminhos para o campo popular.


O problema decorre ao não conseguir descolar da sua origem, pois apresenta a mesma plataforma que ajudou a construir participando do golpe e contribuindo para a eleição do governo fascista que se instalou na Presidência da República. Afastar desse lado seria negar suas origens e contrariar sua matriz ideológica, já que o campo progressista já está praticamente demarcado. O desafio dessa corrente é orgânico, ou seja, ela precisa insurgir dentro do seu próprio eu, negando sua própria origem para justificar sua existência. 


O que poderia amenizar o pesadelo da dissidência como  "terceira via" é  construir uma narrativa apenas civilizatória, de respeito mútuo, de princípios básicos de boas maneiras, já que a criatura original não  carrega esses valores. Enquanto ao projeto de país, esse não difere em nada do Bolsonarismo. Querer fazer a população acreditar que a formação de uma nova corrente política formada na superficialidade dos problemas sem  apresentar compromissos econômicos e sociais de inclusão, de fortalecimento do estado, diferente do modelo atual, é o mesmo que acreditar nas obras do Saci Pererê, da mula sem cabeça e do lobisomem na Semana Santa. 


Por mais que a imprensa corporativa e tupiniquim force a barra para apresentar uma alternativa, apenas com roupas diferentes, a população não demonstra querer dar conhecimento dessa narrativa. A liderança nas pesquisas do ex-presidente Lula de um lado, e do Bolsonaro do outro, demonstra essa situação.


É importante observar que essa eleição terá um caráter plebiscitário, ou seja, a população não vai escolher apenas um candidato. Ela vai decidir que tipo de país  deseja para geração de empregos, para desenvolvimento da ciência e da tecnologia, da política de preços dos combustíveis, de alimentos, do modelo de educação, de distribuição de renda, do investimento em cultura, enfim, um país justo e civilizado.


Portanto  o sonho para emplacar uma terceira alternativa nessas circunstâncias ficará apenas nos pesadelos  sonhados por uma pequena burguesia que não acredita nos trabalhadores mas, que deseja usufruir da força de trabalho como instrumento de exploração e enriquecimento de suas castas.


Caetité-Bahia.


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