Por Gilvane Caldas.
Quando se acredita na teoria negacionista de coisas elementares como a política o que vem como consequência dela pode ser muito pior do que a própria política negada. Negar uma estrutura fundamental e indispensável para a construção de uma sociedade harmônica é o mesmo que abrir caminhos para regimes antidemocráticos esperando que a democracia seja fortalecida.
O ano de 2013, foi quando começou as mobilizações populares de rua que tinham como causas e pano de fundo o combate à corrupção, a má gestão da economia no governo Dilma e consequentemente a queda de popularidade do governo e isso justificaria sua retirada. No decorrer do tempo foi ficando mais claro o propósito e quem estava por trás como financiadores daquelas manifestações de rua. Foi um conluio composto por parte do poder judiciário, da grande mídia, empresários e setores organizados da extrema-direita brasileira.
Quando a democracia é aviltada por mentiras e interesses escusos como foi a deposição da Presidenta Dilma, a operação Lava Jato e a prisão do Lula, o resultado para a sociedade não poderia ser diferente do que estamos vivendo. Com o rasgo da Constituição e a mentira midiática diariamente, vieram alguns elementos estranhos nessa narrativa que pregava defesa da liberdade, Deus, pátria, família, ameaça de chegada do comunismo e o fim da corrupção como ingredientes dessa nova política, que de novo não tinha nada.
A narrativa fascista da extrema-direita é justamente praticar aquilo que condena nos adversários, a tal liberdade veio acompanhada da proposta de desacreditar a ciência, criminalizar as escolas, acusando-as de doutrinadoras, de serem partidárias, esquerdistas e marxistas instruindo parte da sociedade para contestar os conteúdos, que segundo eles, contrariavam os princípios de liberdade que estariam sendo ministrados pelos professores para seus filhos.
Neste esquema de mentiras para combater algo inexistente, nasce "O ESCOLA SEM PARTIDO", que tem como propósito induzir pais e alunos a se posicionarem contra a gestão da escola e os professores. O Movimento Brasil Livre - MBL, de extrema direita, foi o principal articulador desse processo que culminou com a derrubada da Dilma e abriu as portas da democracia para o neofacismo, iniciado no governo de Michel Temer e coroado com o desastre nacional que foi a eleição de Jair Bolsonaro.
Esses últimos quatro anos foram marcados pelo culto a ignorância, fake news, proliferação das armas, discurso de ódio, preconceito, trabalho escravo, destruição da natureza, feminicídio, intolerância, violência policial, desrespeito aos princípios civilizatórios, ataques à cultura e às artes, valores estes que foram sendo incorporados ao dia a dia da população com certa naturalidade.
A religião, a família e o nome de Deus nunca foram tão mal empregados e usurpados para interesses próprios como no período do governo Bolsonaro. As igrejas em sua maioria evangélicas, sem excluir também a católica, serviram de palco para a proliferação da cultura do ódio e da violência, uma vez que seus pastores e padres faziam dos "cultos" momentos para orientação política, endeusando um e demonizando o outro.
Caetité-Ba.

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