quarta-feira, 5 de abril de 2023

A SOLUÇÃO NÃO ESTÁ NOS MUROS!




Por Gilvane Caldas 

O que aconteceu naquela escola em Santa Catarina  não é o problema do muro ser baixo, do vigia ter sido negligente ou da incapacidade dos professores em lidar com a situação ou outro motivo qualquer. A morte de crianças inocentes e indefesas é muito mais do que um caso  que deve ser repudiado por todos nós.

A violência dentro das escolas não nasce dentro delas, vem de fora, vem do seio de famílias desestruturadas, de famílias que foram jogadas à própria sorte, vivendo em extrema pobreza,  nas periferias e nos morros das grandes e pequenas cidades. Essa seria uma justificativa falsa e sem fundamento apenas centrada  num viés preconceituoso de que a violência tem sua origem na pobreza.


A violência não pode ser caracterizada pela cor, pelo gênero, pela classe social ou origem. Da mesma forma que não adianta erguer muros, grades ou rondas policiais se a violência brota do seio de cada um. Ela é produto de um conjunto de ações que passa pela falta de educação de qualidade, de um estado democrático de direito, do cultivo de valores que estimulam a paz, do respeito às diferenças, do violento racismo estrutural, da escravidão, da negação dos direitos, da exploração do trabalho, do cultivo do ódio por aqueles que têm como cultura ver no outro um inimigo a ser batido e do incentivo por parte de líderes fascistas.


Aqueles pais que perderam seus filhos estão chorando, mas toda sociedade também perdeu. O ocorrido naquela escola não pode ser naturalizado ou tratado com indiferença, por não estar perto de nós. O assassinato de uma criança  em qualquer lugar, deve nos indignar, provocar revolta, não  de ódio, mas para buscar alternativas que nos coloquem em condições de sermos tratados como humanos. 


Não foi um fato isolado provocado por um maluco,  depressivo ou alguém que tinha motivos que pudessem justificar tanta barbaridade. Buscar apenas as razões para uma condenação como forma de punir ou vingar de quem comete crimes dessa natureza não  resolve a questão. O problema deve ser enfrentado por todo o conjunto da sociedade, começando pela família e chegando à escola como extensão da formação para a vida. Caso contrário, continuaremos sendo derrotados e chorando  em tragédias!

Caetité-Ba.



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