segunda-feira, 10 de julho de 2023

INIMIGOS DA CULTURA REGIONAL



Por-Gilvane Caldas.

A valorização e a preservação da cultura são sinais evidentes de compromisso para se conhecer a história de um povo que é refletida através da expressão de seus hábitos, de suas tradições e de seus gostos. É por meio da cultura que esses valores são vivenciados e transmitidos de gerações para gerações.

As formas e expressões culturais variam de acordo com as tradições de cada povo. Elas se revelam pela musicalidade,  pelas artes, pela culinária,  pela religião e pelos estilos de vida que são cultivados como forma de resistência e tradição.

Cada região do país possui a sua identidade cultural, e é justamente através desses traços que conseguimos caracterizar cada sujeito na sua individualidade e complexidade.


Proteger a cultura e as tradições regionais não significa fechar as as porteiras para não permitir a entrada de outras culturas. Proteger as tradições locais significa conhecer a si mesmo, dentro de um universo que é agressivo no sentido de universalizar e determinar padrões uniformizados, desconhecendo e ignorando as individualidades de cada região.


O capitalismo selvagem não tem origem, não tem cara, não tem cor e não reconhece o valor de um povo na sua intimidade. Ele busca uniformizar os valores com a liquidez que lhes é peculiar na  sua temporalidade, cíclica de crises, que precisam ser enfrentadas e vencidas no seu interior.


A cultura como mercadoria desperta nos homens dos negócios e da política os mais rasos instintos de sobrevivência: o primeiro preocupado apenas com os lucros, o segundo em agradar seu público para não perder a simpatia, mas ambos sem o compromisso para resistir e manter as tradições de um povo ou região. 


O nordeste brasileiro cultiva o forró, o   xaxado, a cantoria, o repente, a embolada, as toadas e os aboios, o cordel, o samba, a chula, as novenas e as quermesse, as cantigas de roda, as vaquejadas, as pegas de bois e as cavalgadas. Esse é um lado do sertão que carrega cores e formas na sua diversidade, do outro lado, tem muito mais.


Resistir aos encantos do modismo da cultura singular, sudestina, imposta de cima para baixo, por uma elite cultural que desconhece e ignora o valor de um povo sertanejo, significa ter coragem para enfrentar o desafio de ser taxado de antiquado, de velho que não pensa na juventude e na inclusão de todos. 


O preço para a inclusão desse todo significa matar de forma sutil a cultura popular, incrementando nas festas de época, aqui juninas, ritmos, que nada tem de cultura regional, que serve apenas para atender interesses comerciais e políticos, sem compreender a cultura como elemento de expressão do povo, sendo assim, tornar o cidadão alienado como dizia o velho Marx, da sua gente. 


Os dirigentes dos órgãos responsáveis em promover e divulgar a cultura regional, nas cidades do interior, estão no arfan para satisfazer gostos estranhos que não fazem parte da construção e do fortalecimento das tradições regionais. Não se pede aqui que se fechem os olhos ou as portas para outros ritmos e estilos, pede-se que cada um tenha seu espaço no seu lugar e tempos apropriados. Só queremos que nossa cultura seja preservada e respeitada no tempo e no espaço!

Caetité-Ba.


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