Por Gilvane Caldas
Nas últimas semanas o noticiário nacional tem abordado a violência policial como uma narrativa para justificar a ação desastrosa da polícia militar nos morros e favelas de estados importantes como São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e a nossa Bahia.
A narrativa institucional do armistício para combater o tráfico de drogas nas favelas dos países da América Latina tem produzido ações desastrosas e descontroladas das polícias militares em todo Continente, que termina com a morte de pessoas inocentes, especialmente de crianças e jovens negros e pobres das periferias.
Subir às favelas com armas de grosso calibre em punho para combater o tráfico deve nos levar a algumas indagações, a partir da razão e não da emoção como: Como as tais armas pesadas, caras e de uso exclusivo de forças armadas chegam às mãos dos pobres do morro? Como as drogas importadas chegam ao ápice dos morros em grande quantidade passando pelas vielas que mal passa uma bicicleta? Se os meninos vendem drogas nas favelas, quem são os compradores e onde eles moram? Como alguém num presídio pode negociar a compra e venda de armas e drogas em diversos lugares do mundo em diversas línguas?
Observando o noticiário sobre as mortes provocadas pela ação da polícia encontramos uma narrativa comum a todas ações para justificar a mortandade: "confronto com a polícia". Ora, se todas as mortes foram de confrontos com a polícia, porque não aparecem tiros nas viaturas na maioria dos casos em que a polícia apenas reage a ação?
O que levanta dúvidas é que a organização polícia, hoje, se tornou um órgão do estado, sem comando, onde parte dos policiais, despreparados, com espírito vingativo saem para matar e calar o grito de socorro como solução de problemas tipo pobreza, inoperância do estado, corrupção na própria polícia, mistura entre polícia e milícias envolvidas em negócios e contravenções.
A ideia de combater o tráfico via armamentícia é a necropolítica adotada pelos norte-americanos que visa vender armas e fazer negócios no resto do mundo às custas do sangue dos pobres e pretos. Não se pode aceitar como política de estado o assassinato de pessoas que até então não há comprovação de que são criminosas ou possuem alguma relação com a contravenção. O papel da polícia não é matar, mas sim proteger. Toda e qualquer ação da polícia que gera morte, não pode ser considerada exitosa do ponto de vista da humanidade e da segurança pública.
A pauta da sociedade para o combate ao “crime organizado” (organizado por quem?) tem que ser a exigência de um estado brasileiro que cumpra com as suas obrigações constitucionais, criando condições e oportunidades para a geração de empregos e educação de qualidade nos morros e periferias do país. Não se pode falar em democracia onde impera a injustiça, o racismo, o preconceito e a falta de oportunidades.
É preciso construir pontes para o fortalecimento da justiça social. A liberdade de um povo não pode ser imposta de forma verticalizada através da força do estado brasileiro. Mas também, a política de encarceramento de milhares de jovens pretos e pobres em masmorras que chamam de penitenciárias, não contribui para a ressocialização do indivíduo, pelo contrário, esse sujeito sai ainda mais revoltado pela humilhação que sofre, sem instrução ou orientação para vida.
Sem uma política nacional, clara, de segurança pública, o estado brasileiro adota a matança como solução da desgraça de milhares de despossuídos na vida como alternativa para a paz! Não aceitar essa prática como natural, faz parte de um conjunto de ações que precisam ser desenvolvidas pelo poder público com a participação da sociedade civilizada.
Os governadores de extrema direita de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais são agentes perigosos que pregam a linguagem do facismo alimentado pelo bolsonarismo, através do racismo e do preconceito. O Tarcísio de São Paulo, defendeu uma ação indefensável da polícia no Guarujá/SP, matando mais de uma dezena de pessoas. O governador de Minas, Romeu Zema, defendeu o racismo e o preconceito regional como método político para o desenvolvimento do Brasil.
Precisamos reagir de forma veemente ao método da extrema direita fundamentada nos métodos dos "bolsonaristas" em todos os lugares como; escola, igrejas, sindicato, na rua e nos partidos políticos. Não é aceitável a convivência democrática com gente que tem esse tipo de pensamento. A doença bolsonarista precisa ser extirpada dos meios civilizados, não podemos permitir que gente desse naipe floresça em nosso meio.
Caetité-Ba.
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