sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

RACISMO: A IGNORÂNCIA COMO CULTURA


Por Gilvane Caldas 


Sofrer com a prática do racismo e da misoginia nunca foi novidade na vida de quem sempre carregou a marca da exclusão e da indiferença nas sociedades burguesas e elitistas. A prática criminosa teve sua impulsão e estímulo em tempos recentes através do governo misógino e violento do inominável. Era preciso um cão ladrar, para que a horda entrasse em ação. 


O preconceito é um sentimento que brota no interior daqueles que têm como cultura a ignorância e o desconhecimento das diferenças entre os povos. A expressão do racismo nunca foi tão evidente como agora. Isso não significa que antes a prática maléfica era inexistente, pelo contrário, ela era aceita como coisas engraçadas, piadas, apelidos jocosos, dirigidos a vítima como algo natural.


O diferencial de agora é que em tempos anteriores o racista tinha vergonha de se assumir racista, até porque,  as vítimas de sempre, os negros, os favelados,  as mulheres brancas e pobres não dividiam os mesmo espaços com os inquilinos da Casa Grande. Eram pessoas subjugadas ao segundo plano.  Com a expansão das políticas públicas de inclusão social os excluídos de sempre passaram a ter vez e voz. Isso incomodou extremamente os racistas.


Essa é  a prática da extrema-direita que odeia cultura,  educação e se alimenta do ódio. Um sujeito racista incomoda com a presença do diferente ao seu lado na poltrona de um avião,  no palco de um teatro, na universidade  ou numa visita a um museu importante. O racismo e o preconceito reverberam quando a vítima, de sempre, disputa o espaço de igual pra igual com o Ser que se acha superior.


Para essa gente há sempre a necessidade da opressão para sua sobrevivência. É através da exploração do outro que esses indivíduos projetam seus sucessos. Eles não se conformam em  compartilhar sucesso e empoderamento com quem eles sempre trataram como  inferiores.


Caetité é uma cidade conservadora, disso ninguém tem dúvida. O péssimo  tratamento que alguns comerciantes da cidade oferecem a alguns “clientes” é algo desprezível numa sociedade civilizada. A ação desse comerciante é amparada nos olhares de tantos outros iguais a ele na cidade. Uma parte do comércio atende o cliente de acordo com as suas vestes e características. É  o racismo silencioso tão cruel quanto aquele expresso nas redes sociais, balizado por um sentimento de arrogância e ignorância que não desperta  culpa e nem vergonha, pelo contrário, a sensação é de orgulho da parte de quem pratica. 


O enfrentamento a esse tipo de prática precisa ser firme por parte de todos os cidadãos, como ação civilizatória, num processo de consciência cidadã e ao mesmo tempo criminal. É importante a presença firme do Ministério Público neste caso. O crime praticado foi uma ofensa a toda sociedade, ele tinha endereço e precisa ser cortado na raiz, antes que o mal seja a  moda no submundo de empresas que cultivam esse pensamentos.

 Caetité-Ba. 


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