Por Gilvane Caldas
Arquivo: coisasdecajazeiras.com.brEstamos em um momento crítico da formação e construção de valores individuais e coletivos de uma sociedade líquida. O entretenimento a qualquer custo passou a ser a mola principal para a integração e o pertencimento de tribos que perderam sua essência. São jovens desprovidos de oportunidades e bombardeados pela cultura de massa que aniquila e mata os sonhos na origem.
O aculturamento massificado através dos meios de comunicação e da Internet está produzindo uma geração sem direito de escolher o que ouvir. A geração atual necessita integrar-se a um modo ou estilo de vida que não deveria fazer parte do seu habitat.
O espetáculo da degradação moral e ética de parte da juventude, infelizmente, parece não ser o centro das preocupações dos próprios jovens ao demonstrarem que não se importam com as consequências de seus atos.
Uma sociedade que não cultiva valores e princípios basilares não tem futuro enquanto sociedade de respeito e decência. O poder público enquanto mediador e indutor do processo civilizatório não pode ser o propagador da indecência, do desrespeito e da desvalorização do ser humano (homem e mulher).
Não é uma questão de que cada um ter sua preferência musical. Não se trata disso. Aqui o problema é falta de respeito, é a vulgarização do corpo do homem e da mulher. A exposição promíscua e animalesca de homens e mulheres em palcos públicos, demonstra o quanto estamos regredindo da condição de humano racional.
Para onde estamos indo? Não. Não estamos indo, estamos retornando ao estado primitivo de sociedade sem regras, onde cada um se acha no direito de expressar sua liberdade, como se a democracia fosse cada um fazer e dizer o que bem entende, sem consequências.
O poder público tem a responsabilidade e o compromisso moral para difundir e preservar a cultura, os hábitos e os valores do seu povo. Quem se prontifica a oferecer entretenimento ao público tem que saber que esse é um processo que deve contribuir para a formação e civilização do indivíduo. Usar recursos públicos para contratar peças culturais de má qualidade é contribuir para a degradação generalizada, principalmente da juventude que é bombardeada diariamente com músicas e atrações de péssima qualidade.
Não dá pra afirmar que cada um tem seu gosto, e que esse processo é uma escolha de cada um isoladamente. O processo de emburrecimento de uma geração passa pelo entretenimento vulgar, pela música e as artes de quinta categoria. É assim que sobrevive o capitalismo, vendendo felicidade esvaziando o interior do ser humano que busca na alegria momentânea e no prazer o bem estar através do imediatismo inconsequente e sem pudor.
Estamos convivendo com uma geração onde valores atuais não fizeram parte dos ensinamentos dos antepassados. O respeito não era considerado coisa de cafona. É preciso que a família, a escola, as igrejas sérias, assumam a voz para a construção de uma sociedade que valorize e forme um novo homem e uma nova mulher.
O show dos horrores não pode ser o espetáculo do dia, num palco financiado com dinheiro público. A polêmica pode ser instalada como forma de crescimento do indivíduo. É através do consenso e do conflito que alcançamos o equilíbrio para viver em paz.
O espetáculo dos horrores perpetrado por um grupo “musical” chamado de “polêmicos” nas das cidades de Caculé e Iuiú, na Bahia, não engrandeceu e nem enobreceu os cidadãos daquele lugar, ao contrário, deve ter deixado as pessoas sensatas envergonhadas e tristes por presenciar, insisto, a degradação moral de parcela da sociedade que não reagiu como deveria diante de cenas dantescas.
Caetité-Ba.
Nenhum comentário:
Postar um comentário