domingo, 30 de março de 2025

UM BRASIL PERDEU, MAS O OUTRO GANHOU!

Por Gilvane Caldas.

   Há um ditado em que diz que “o futebol é o ópio do povo”, porém esse Brasil já não nos encanta como outrora. O Brasil que vestia verde amarelo que era chamados de  canarinho entrava em campo e o povo sentia representado em campo, hoje, os atletas já não se identificam mais com o seu próprio povo.

   Perder de 4x1 para um grande time não é demérito, aqui o importante é reconhecer a capacidade do adversário para atacar os pontos fracos e vulneráveis de uma seleção formada por uma geração de jogadores arrogantes, indiferentes, cultivadores do status do luxo e do prazer. Isso é fruto da estrutura de um futebol brasileiro baseado nos interesses financeiros e inescrupulosos de empresários e dirigentes de clubes e federações de futebol em cada estado. A derrota é dessa gente, desse Brasil.

  Esse Brasil foi derrotado dentro das quatro linhas, por um adversário que soube construir um placar e demonstrou a sua superioridade e capacidade para envolver o adversário no campo de jogo.

   O Brasil que perdeu não é o mesmo Brasil que venceu o Oscar com o filme “Ainda Estou Aqui!” Este, procura vencer, também, aos poucos a miséria, a pobreza e as desigualdades nos mais longínquos rincões e que busca recontar a sua história para que os mais jovens possam compreender que a tão sonhada liberdade esteve ameaçada num passado bem recente.

   O Brasil dos desaparecidos políticos, dos exilados, dos torturadores ficou para trás, sem acertar as contas com a justiça, os tempos de agora são outros, é preciso mostrar aos jovens do presente o quanto cultivar a democracia é pedagogicamente algo necessário e imprescindível numa sociedade democrática.

   O Brasil que começa vencendo de 5x0, não pode sofrer revertério nem tão pouco levar gol contra por traidoras que se dizem patriotas e covardes que incentivam o crime e fogem do país ao sentir a alcance da justiça, alegando perseguição e ditadura, mas ao mesmo tempo, organizam manifestações em pleno domingo, através das redes sociais para atacar a própria democracia. 

   No Brasil real a desigualdade, a pobreza e a miséria ainda são obstáculos a serem vencidos. A censura e a tal falta de liberdade reclamada está presente apenas nas mentes deturpadas e insanas no Brasil dos “terraplanados" que tentam proliferar no “perdeu mané”.

   O banco de reservas foi substituído pelo banco dos réus. É o Brasil real ajustando as contas e as posições dentro das quatro linhas no jogo democrático. Aqui, os regulamentos e as leis precisam ser aplicadas com o rigor que a causa exige.                   

  O confronto ou ameaça ao regime democrático não pode ter tolerância num lugar em que a civilização já chegou. O peso da justiça precisa ser sentido por qualquer um que resolva estimular ou realizar ações que sedimentam a eliminação do jogo democrático.

   O direito de defesa do réu é sacramento inviolável na democracia, e é assim que tem que ser. Mas esse direito cessa quando se esgota todas as possibilidades e oportunidades do réu se manifestar. Cada etapa tem seu tempo e cada tempo tem sua fase, encerrado esse cronograma, vem o veredito. 

  Aqui, não estamos a pensar em vingança ou fazer justiça como forma de justiçamento, eliminando os adversários com condenações sem provas e sem a materialidade dos fatos. Esse Brasil que venceu o primeiro round de 5x0, exige o cumprimento das leis, sem o fantasma da anistia para quem a implora para si, como se estivesse já a confessar os crimes que cometeu. Esse Brasil precisa continuar vencendo, enquanto o outro, ah! Aquele outro pode ser uma questão de sorte ou fraqueza do adversário, não muda o curso da democracia, é irrelevante.

Caetité-Ba. 26/03/25.


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